Museu da Abolição reabre no Recife com duas exposições inéditas
O Museu da Abolição (MAB), no bairro da Madalena, no Recife, retomou integralmente as atividades em junho com duas exposições inéditas. O retorno marca a retomada do espaço como ponto central da produção artística afrodiaspórica no Brasil.
É o primeiro grande projeto museográfico após as reformas do Sobrado Grande da Madalena, onde o museu funciona; antes disso, o MAB vinha retomando as atividades de forma parcial.
Arte contemporânea negra
“Que herança você vai poder?” ocupa o primeiro piso e reúne 31 obras de 26 artistas. A mostra dialoga com o acervo do museu, com peças emprestadas e com trabalhos encomendados para a exposição.
A curadoria, do artista Alex de Jesus, propõe uma reflexão sobre as políticas públicas que ainda falham em garantir reparação plena à população negra desde a abolição da escravatura.
O tema central é como essa “herança” histórica se manifesta até hoje na sociedade brasileira através das artes visuais e outras mídias culturais em Pernambuco. O projeto reúne nomes da arte contemporânea negra pernambucana no audiovisual, na fotografia, na música e em outras linguagens.
Restituir o Possível: acervo africano sob nova ótica
Em paralelo, o museu apresenta “Restituir o Possível”. A segunda exposição mostra um recorte do acervo de cultura material africana guardado no museu.
Com curadoria especializada por Isabelle de Oliveira Ferreira e Wellington Ricardo da Silva (do coletivo Mandume Cultural), os visitantes podem conferir 109 peças. O material inclui máscaras, esculturas e objetos de realeza vindos de 12 países africanos.
A importância histórica das coleções
Embora muitas dessas obras façam parte do acervo institucional desde o ano de 2016, grande parcela delas permaneceu guardada na reserva técnica durante a última década da instituição.
“Restituir o Possível” busca levar para um campo simbólico profundo a ideia complexa de restituição. A proposta reconhece os impactos deixados pelo colonialismo e insere formalmente o MAB no debate internacional sobre como devem ser tratados bens culturais africanos em nível global.
Informações práticas
As duas exposições, “Que herança você vai poder?”, no primeiro piso, e “Restituir o Possível”, no térreo, têm entrada gratuita.
O museu abre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Aos sábados, a visitação vai das 13h às 17h.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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