Murillo de Aragão afirma que eleição de 2026 será marcada por escândalos, não propostas
A eleição de 2026 promete ser definida por escândalos e rejeição, com eleitores independentes buscando o candidato menos impopular.
O cientista político e CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, avaliou o início das campanhas eleitorais dos presidenciáveis com ceticismo. Durante uma entrevista ao WW, ele afirmou que a disputa não será definida por propostas, mas sim pelo número de escândalos que cada candidato acumular ao longo do período eleitoral.
De acordo com Aragão, cerca de 5 a 6 milhões de eleitores independentes, sem alinhamento fixo com nenhum dos lados em disputa, serão protagonistas da eleição. “Essa é uma eleição de escândalos, não é uma eleição de propostas. É uma eleição de vazamentos”, ressaltou o analista.
Esses eleitores tendem a escolher o candidato considerado o “menos pior” ou votar no adversário daquele que mais rejeitam.
Narrativas que não empolgam
Aragão também destacou que nenhum dos lados apresenta uma narrativa capaz de mobilizar amplamente o eleitorado. No campo do PT, o candidato optou por não buscar apoio no centro político e ficou “capturado no discurso nós contra eles”, agora adornado pela retórica da soberania nacional.
Já do lado do senador Flávio Bolsonaro, segundo o analista, prevalece uma narrativa de revolta em relação ao que teria acontecido com seu pai, gerando um “campo de mágoa muito grande”.
Para Aragão, a decisão do voto dependerá do volume de escândalos e da capacidade deles em prejudicar cada candidatura. Ele acredita que um evento extraordinário seria necessário para mudar esse cenário.
Eleição da rejeição
Daniel Rittner, diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, concordou com a análise de Aragão e observou que as eleições atuais se diferenciam das anteriores por serem marcadas pela rejeição generalizada. “Agora é uma eleição da rejeição, onde ninguém está empolgado”, afirmou Rittner.
Leia também
Ele citou como exemplo a necessidade de Lula reunir militância de outras cidades para encher o estádio durante seu primeiro discurso de campanha. Da mesma forma, Flávio Bolsonaro não conseguiu atrair um grande público para a inauguração de seu movimento em Copacabana.
Rittner também ressaltou que cada lado definiu claramente seu inimigo: na campanha de Flávio Bolsonaro, o adversário é o STF; enquanto na campanha de Lula, o inimigo é o presidente americano e a ideia de interferência estrangeira. Em comparação com 2022, a diferença nas pesquisas do Datafolha caiu drasticamente. “Aquela diferença que foi de mais de 10 pontos em 17 de agosto de 2022 acabou em quase nada; agora é de apenas 3”, concluiu.
A CNN Brasil utiliza textos gerados por inteligência artificial baseados em cortes dos vídeos dos jornais da programação. Todas as informações são verificadas por jornalistas e passam pela revisão da equipe editorial antes da publicação.