Ministro Dias Toffoli e Mudanças na Investigação do Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tem promovido diversas alterações em sua orientação sobre a investigação de supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Em um intervalo de 24 horas, ao menos três mudanças significativas foram implementadas.
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Na manhã de quarta-feira (14), após o início da operação, Toffoli ordenou que todos os bens, documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal fossem mantidos sob custódia no tribunal. A decisão visava garantir a preservação das provas, que seriam “devidamente periciadas pelas autoridades competentes”.
Reações e Novas Diretrizes
Horas depois, preocupações surgiram entre os investigadores sobre a possibilidade de acesso remoto aos dispositivos eletrônicos. Em resposta, o gabinete de Toffoli orientou a Polícia Federal a revisar a centralização das provas no Supremo. Essa determinação gerou surpresa entre os delegados da PF, que enfatizaram a urgência de extrair os dados para evitar a perda de informações cruciais para a investigação.
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O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, formalizou um pedido para que Toffoli reconsiderasse sua decisão. Além disso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também solicitou a revisão, argumentando que a extração e análise das provas deveriam ser realizadas pela PGR para garantir uma avaliação adequada dos crimes investigados.
Decisões Finais e Avanços na Operação
Toffoli atendeu ao pedido do procurador-geral, permitindo que a PGR realizasse a análise das provas. Essa decisão representou um recuo em relação à orientação inicial de envio ao STF, com o objetivo de proporcionar uma visão mais abrangente dos supostos crimes identificados até o momento.
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Em um novo movimento nesta quinta-feira (15), Toffoli autorizou que a Polícia Federal também tivesse acesso ao material apreendido, mesmo estando sob custódia da PGR. O ministro permitiu que quatro peritos da PF, indicados por ele, acompanhassem a extração dos dados e a perícia, marcando um segundo recuo em um único dia.
Contexto da Operação Compliance Zero
As decisões ocorreram após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A ação resultou no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens, incluindo carros de luxo, relógios, dinheiro em espécie e um revólver.
Entre os alvos da investigação estão o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, seus familiares e empresários associados a fundos de investimento. A apuração investiga crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
A PF também investiga possíveis operações financeiras fraudulentas entre o Banco Master e a Reag Trust, uma empresa suspeita de estar envolvida em esquemas de lavagem de dinheiro, conforme identificado na operação Carbono Oculto, que investiga conexões entre o setor de combustíveis, o PCC e instituições financeiras.
