MTST transforma INSS abandonado em habitação popular em Porto Alegre
MTST reconstrói INSS abandonado com habitações populares em Porto Alegre após enchentes de 2024.
O antigo prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), um edifício de 26 andares no centro de Porto Alegre que esteve anos vazio e em deterioração, será transformado para abrigar mais de 200 famílias de baixa renda.
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A iniciativa foi organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem – Teto (MTST) — entidade contemplada pelo programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades —, o qual já está elaborando os projetos necessários para realizar esse grande retrofit urbano.
O novo espaço deverá unir moradia popular com áreas comunitárias dedicadas à geração de renda local na região central da capital gaúcha.
Reutilização do INSS: Moradias ligadas a direitos sociais
Para Fernando Campos, integrante da coordenação nacional do MTST, essa conquista representa uma construção coletiva que transcende apenas a busca por um teto convencional. Ele explica aos leitores que há muito tempo se discutia não só a falta de casas novas, mas também formas eficazes e sustentáveis de dar vazão ao reuso desses edifícios ociosos no centro das cidades.
A proposta ainda dialoga diretamente com os desafios impostos pela crise climática brasileira; isso foi especialmente evidente após as enchentes registradas em 2024 na região Sul. Segundo campos, transformar esse prédio já disponível garante tanto o direito à moradia quanto uma reciclagem da estrutura existente para mitigar impactos ambientais futuros.
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Campos destaca vários ganhos ecológicos inerentes ao reaproveitamento do imóvel: “Quanto de areia não vamos gastar aqui? Quanto de cimento não vai ser gasto… São materiais que vão exigir mineração.” A reutilização minimiza a necessidade desses recursos naturais e reduz drasticamente a pegada ecológica das obras habitacionais no Brasil.
A luta por direitos em Porto Alegre
O impacto social dessa transformação é sentido diretamente pelas famílias. Glória Maria Machado da Silveira, moradora na Ocupação Maria da Conceição Tavares há cerca de um ano e dois meses, conta como o movimento foi essencial para sua sobrevivência após perder seu principal meio de renda.
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Antes do projeto ser contemplado pelo Minha Casa, Minha Vida Entidades, ela dependia integralmente dos lanches vendidos pela rua Doutor Flores — área que sofreu com obras recentes no centro – atividade vital até parar devido à sujeira excessiva nas ruas.
Ela ressalta a importância econômica desse direito: “Sem renda, tu não tem casa. As pessoas acham que por viver em aluguel têm uma moradia estável; mas na prática é diferente.” Após um período sem pagar os custos da locação e passar temporariamente na residência do filho, Silveira foi acolhida pelos moradores de ocupações vizinhas.
Hoje, Glória Maria Machado da Silveira atua coordenando tarefas coletivas dentro da Ocupação Maria da Conceição Tavares junto ao marido. A dirigente explica o modelo comunitário adotado no local para manter todos vivendo com tranquilidade. Para ela, a luta vai muito além das paredes: “A gente não lida só por moradias… Luta – se também pela saúde ou educação,” afirma ainda sobre as atividades que incluem brinquedoteca infantil e grupos de estudo adulto na comunidade.**
Juanita Garcia de Oliveira reforça essa visão ampla em sua coordenação do MTST; segundo dados dela, embora atualmente morem entre 38 e 40 famílias na ocupação principal, os cadastros já reúnem cerca de 350 pessoas interessadas. Isso mostra o grande desafio contínuo da demanda habitacional.
O modelo comunitário frente ao déficit
A importância estratégica dos imóveis vazios no centro urbano
Para as líderes movimentos como Juanita García de Oliveira, a localização central é um fator crucial para garantir dignidade à população trabalhadora que reside ali. Estar perto das principais vias — do metrô ou Mercado Público até empregos— facilita drasticamente deslocamentos e uso diário da cidade por todos os moradores.
Elas argumentam que há mais prédios desocupados em Porto Alegre do que o real número de famílias com déficits habitacionais registrados na região metropolitana.
Por isso, Campos aponta uma direção clara: não seria necessário construir novas unidades; bastaria reciclar estruturas existentes no centro urbano abandonado. A administração futura deve manter esse modelo comunitário já praticado pela ocupação local para garantir a coesão social dos vizinhos.**
O potencial das áreas vazias como solução
A visão sobre reutilização é tão forte que foi aplicada também ao projeto “Ilhota”, outro imóvel recebido pelo movimento dentro do programa Imóvel da Gente e próximo à Ocupação Maria da Conceição Tavares. Campos explica o processo, dizendo que após articulação com a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), identificaram um prédio público ideal.
Esse espaço permitiu não só instalar uma cozinha solidária alternativa durante as enchentes em 2024, mas ainda viabilizar empreendimentos maiores.
“Porto Alegre historicamente sempre empurrou os pobres para fora,” critica Campos sobre essa dinâmica urbana histórica; ele aponta como esse padrão mantém viva na cidade gaúcha.**
O futuro do direito à moradia. A coordenação nacional também alerta o leitor que há muitas mulheres chefes de família e pessoas usuárias dos programas de transferência de renda ou BPC no cadastro. Por isso, a diretriz principal é priorizar esses grupos ao receberem as novas unidades habitacionais.
Em suma, segundo Oliveira, garantir um lugar seguro não significa apenas ter onde dormir: trata – se fundamentalmente da segurança para toda uma vida — desde a infância até os anos mais avançados.