Débora Laitharth enfrenta preconceitos após retornar ao telemarketing

A luta por um ambiente de trabalho seguro e livre do preconceito ainda é uma realidade para muitos trabalhadores LGBTQIAPN+ no Brasil, como ilustra o caso de Débora Laitharth dos Santos.
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Débora enfrenta resistência persistente à ascensão profissional devido ao que ela classifica como racismo trans corporativo em setores chave da economia brasileira. A experiência dela mostra as barreiras invisíveis enfrentadas mesmo após conseguir ingressar formalmente na força de trabalho.
Barreiras profissionais: a jornada no telemarketing
Para mulheres transexuais ativas nesse mercado, encontrar emprego não garante automaticamente um ambiente respeitoso ou estável emocionalmente; muitas vezes é preciso lutar contra piadas e assédios para simplesmente existir ali. A trajetória pessoal conta o caminho percorrido por Débora Laitharth dos Santos.
Mulher *trans*, coordenadora atual do setor, ela começou seu vínculo com o telemarketing em 2006, mas precisou se afastar durante sua transição devido ao medo constante de sofrer preconceito.
Ao retornar à área profissionalizada após a cirurgia de redesignação sexual realizada no ano passado (em relação aos fatos citados), os medos persistiram na empresa onde atuava como especialista; relata que parecia ser uma das poucas mulheres transexuais naquele local e foi barrada para avançar até um cargo gerencial específico por causa da atitude transfóbica de um coordenador.
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Por sorte, buscou outra oportunidade dentro do mesmo grupo corporativo, conseguiu promoção em outro setor e chegou a ocupar o posto mais relevante entre as pessoas trans operando ali.
O preconceito estrutural além dos números
“Ainda existem barreiras enormes: muitas vezes não são vistas como pessoas e são empurradas para a marginalidade”, alerta Débora Laitharth sobre os riscos enfrentados pela comunidade. Ela detalha que essa pressão pode levar à ideia de exclusão profissional limitada apenas ao trabalho sexual ou serviços estéticos básicos na visão alheia da sociedade.”
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Dados apontam um cenário complexo no mercado formal. Um levantamento feito por pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP) e Unesp, utilizando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima cerca de 19 milhões de brasileiros — o equivalente a aproximadamente 12% da população adulta – se identificando como assexuales, lésbicas, gays, bissexuais, transgênero ou não binários.
Apesar desse número significativo em relação populacional brasileira, pesquisas indicaram que ainda há restrições estruturais: uma consultoria chamada Santo Caos divulgou índices mostrando que quase quatro empresas brasileiras têm dificuldades para contratar pessoas LGBTQIAPN+ no momento.
O Sintelmark, sindicato patronal das operadoras do setor paulista, confirmou essa presença ao apontar um levantamento realizado com mais de cinco mil trabalhadores assinados na área até junho de 2024.”
Desafios setoriais e a invisibilidade como defesa
No ambiente bancário o medo impede denúncias
Em setores tradicionais, como os bancos, as formas de discriminação costumam ser menos explícitas em comparação aos serviços diretos; contudo, seu impacto sobre carreiras é igualmente devastador. Um trabalhador que pediu anonimato revelou uma realidade marcada pelo adoecimento físico e psicológico
Os profissionais do setor já são considerados um dos mais estressados profissionalmente”, afirma ele no relato. Ele explica ainda que essa situação se agrava quando a pessoa pertence à comunidade LGBTQIAPN+, enfrentando preconceitos adicionais dentro da própria empresa Segundo o depoimento coletado por este portal, os colegas ou superiores frequentemente ignoram essas pautas de diversidade “por não considerá – las assuntos relevantes”.
A discriminação manifesta – se tanto na forma aberta quanto sutil: há controle sobre vestimentas usadas em serviço; questionamentos constantes sobre uso correto das instalações sanitárias e assédios moralizados como rotina
A escola também é palco para violências
O ambiente escolar — que deveria ser um espaço acolhedor —, ainda registra preconceitos contra a população LGBTQIAPN+, afetando muitos profissionais da educação no exercício diário do magistério. Para educadores dessa comunidade, permanecer ou ingressar exige uma constante reafirmação de competência profissional diante desse cenário discriminatório.
Professor Ezequiel Souza, coordenador na cidade de Montenegro (RN), avalia o papel fundamental das políticas públicas superiores em ampliar essa representatividade e romper ciclos históricos negativos.”
“Decidir exercer como professor sendo homem gay já representa muito empoderamento”, conta ele ao descrever seu processo; ressalta que para eles é um ambiente hostil devido às violências sofridas durante a trajetória escolar.
A necessidade por mudanças institucionaisDa prevenção à proteção legal no trabalho
Para além dos setores bancário ou educacional, os trabalhadores do telemarketing também apontam falhas sistêmicas. Débora Laitharth defende políticas internas permanentes de combate direto contra qualquer tipo de discriminação e exige cláusulas específicas em acordos coletivos voltadas aos direitos LGBTQIAPNMedidas assim ajudam pessoas fora da vulnerabilidade”, conclui ela; “ninguém sonha ser empurrado para a marginalidade quando o mercado fecha as portas”.
“O desafio sempre é garantir que trabalhadoras e trabalhadores transsexuais exerçam sua profissão com respeito total à oportunidade, segurança plena e igualdade real”, finaliza Sandro Rodrigues (Sindicato dos Bancários), reforçando essa necessidade estrutural.”
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



