MPF Apura Espionagem na Privatização da Copasa: Ernst & Young sob Ataque

MPF investiga espionagem na privatização da Copasa! 🕵️‍♂️ Consultoria Ernst & Young monitorou políticos, influenciadores e mídia durante a PEC 24/2023.

(Imagem de reprodução da internet).

Inquérito do MPF Apura Denúncias de Espionagem na Privatização da Copasa

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para investigar acusações de que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) teria utilizado a consultoria Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda para monitorar deputados, autoridades públicas, influenciadores e veículos de comunicação durante as discussões sobre a privatização da estatal.

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A investigação, iniciada na segunda-feira (18), surge após denúncias de que a empresa realizou o monitoramento, especialmente durante o período em que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, que culminou no fim do referendo popular, estava em tramitação.

O caso envolveu um contrato de R$7 milhões com a multinacional, firmado em maio de 2025, e que incluía o levantamento de informações pessoais de parlamentares envolvidos nos debates sobre a desestatização da Copasa. O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) já havia exigido explicações da empresa em dezembro de 2025, após a divulgação de informações pelo Brasil de Fato MG.

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Monitoramento de Veículos de Imprensa

Segundo informações preliminares, a consultoria Ernst & Young também monitorou veículos de comunicação como o Brasil de Fato, Jovem Pan, 98 FM, Rádio Itatiaia, Record e o jornal O Tempo. A atuação da empresa gerou preocupações e críticas, especialmente considerando o contexto da privatização da Copasa.

Repercussão Sindical e Debate Político

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG), Milton Luiz Costa, argumenta que a investigação do MPF é uma prova de que o governo de Minas Gerais, sob a liderança de Romeu Zema (Novo) e Mateus Simões (PSD), utilizou métodos não republicanos para facilitar a privatização da empresa.

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Ele destaca que a denúncia reforça a posição do sindicato, que sempre denunciou a tentativa de entregar a empresa ao capital privado.

A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) foi responsável por solicitar a abertura do inquérito, buscando analisar se houve violação de direitos fundamentais ou descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na coleta de informações pela Ernst & Young.

Privatização em Curso Apesar da Investigação

Apesar da abertura do inquérito pelo MPF, o processo de privatização da Copasa segue em curso. Em fevereiro de 2026, o TCE-MG autorizou a oferta de ações para privatização da companhia, permitindo que o governo de Minas e a gestão da empresa avançassem com procedimentos preparatórios, proibindo a conclusão da venda da Copasa.

Essa mudança de posição do órgão, com a justificativa de que o Executivo e a estatal teriam cumprido as determinações fixadas, levantou críticas. Milton Luiz Costa lamenta a situação, afirmando que o processo de privatização ainda ganha novos capítulos com autorização do TCE, mas a entidade segue firme na luta contra a privatização.

Contexto da Privatização e Opinião Pública

A aprovação da “PEC do Cala a Boca” e a retirada da obrigatoriedade de realização de um referendo popular para privatizar a Copasa, por meio do projeto de lei de autoria do governo Zema/Simões, geraram críticas de autoritarismo e ausência de debate com a sociedade.

Uma pesquisa encomendada pela Associação Mineira de Municípios (AMM) revelou que 57% dos mineiros são contra a privatização da Copasa, enquanto outros estudos indicam que o índice de contrários pode chegar a 95%.

Irregularidades e Preocupações com a Qualidade do Serviço

O Conselho de Administração da Copasa, em reunião questionada pelos trabalhadores, discutiu sobre os moldes da privatização em março de 2026. A entidade Sindágua-MG denuncia que o formato deliberado e levado à Assembleia Geral de Acionistas da Empresa (AGE) é de “oferta secundária” de ações na bolsa, conduzida pelo ex-presidente do Conselho de Administração Hamilton Amadeo, que renunciou ao cargo após admitir ser um dos líderes de um esquema de pagamento de propina quando era CEO da Aegea.

A população teme que, com a privatização, a qualidade do serviço oferecido pela Copasa piore e as tarifas fiquem ainda maiores, como já aconteceu com outras empresas que foram desestatizadas.

Próximos Passos e Perspectivas

O Brasil de Fato MG entrou em contato com o governo de Minas e a Copasa para comentar sobre as denúncias. O texto será atualizado, caso haja um posicionamento. A investigação do MPF busca analisar se houve violação de direitos fundamentais ou descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na coleta de informações pela Ernst & Young.