MP Apura Descontos Irregulares em Operação Juros Zero
MP investiga descontos irregulares em Operação Juros Zero, com foco em Banco de Brasília e PicPay, e bloqueio de R$ 90 milhões
O Ministério Público (MP) deflagrou, na sexta-feira, 19 de junho de 2026, a chamada Operação Juros Zero. A investigação visa apurar descontos considerados irregulares e abusivos na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. Em um movimento de grande abrangência, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo Brasília (DF), São Paulo (SP) e Curitiba (PR), apontando para um esquema complexo de desvio financeiro.
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Escopo da Investigação e Instituições Envolvidas
O foco da operação recai sobre um grupo de instituições e indivíduos que supostamente participaram da captação e aplicação desses valores. Entre os alvos principais estão o Banco de Brasília, responsável pelos pagamentos salariais dos servidores; a Secretaria de Economia do DF; o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev); além de empresas de serviços financeiros como PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do DF.
A Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas vinculadas a algumas dessas entidades e à própria Associação dos Servidores do DF. O escopo da investigação não se limitou apenas às instituições financeiras, mas também apontou para figuras proeminentes do cenário político e econômico local.
Entre os investigados estão Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF e ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay. A magnitude do bloqueio e a lista de envolvidos indicam que o MP apura uma rede de colaboração que atravessa esferas governamentais e o setor privado.
Tipos de Crimes Investigados e Mecanismos de Desconto
O Ministério Público apura uma série de crimes graves, que vão desde a corrupção ativa e passiva até a formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações apontam para o uso de mecanismos fraudulentos para desviar recursos de servidores públicos.
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Especificamente, a investigação apura crimes contra a economia popular e o uso de publicidade enganosa nas relações de consumo. Os apurados teriam inserido e modificado dados em sistemas da administração pública, criando um ambiente propício para a realização dos descontos indevidos.
Segundo os desdobramentos da operação, o esquema criminoso utilizou um decreto distrital emitido em 2024 como base legal para montar a fraude. Os descontos eram realizados de forma disfarçada, sendo apresentados aos servidores como uma “taxa” ou encargo, quando, na verdade, continham juros abusivos e não autorizados.
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A apuração detalha que o método de cobrança era altamente sofisticado, mascarando juros excessivos sob a aparência de custos administrativos legítimos. Essa tática de disfarce financeiro permitiu que os valores fossem subtraídos da folha de pagamento sem que os servidores tivessem plena ciência de sua origem ou destino final.
A Operação Juros Zero reforça a fiscalização do Ministério Público sobre a transparência dos gastos públicos e a proteção dos direitos dos trabalhadores. O processo busca não apenas recuperar o dinheiro desviado, mas também responsabilizar criminalmente os agentes que se beneficiaram dessa organização ilícita.
A Justiça segue trabalhando para desvendar todas as camadas desse esquema financeiro que afetou os salários de funcionários do Distrito Federal.