Move Brasil enfrenta desafio com 40% das entregas ainda feitas por motocicletas antigas

A realidade de uma frota envelhecida destaca a urgência de políticas públicas que incentivem a renovação e a sustentabilidade no setor de entregas

23/06/2026 19:21

3 min

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O programa federal Move Brasil, que foi lançado recentemente com a intenção de reestruturar a mobilidade urbana e modernizar a frota de motocicletas no país, enfrenta um cenário desafiador. Um levantamento recente aponta que 40% das entregas realizadas no Brasil ainda dependem de motocicletas com mais de dez anos de uso, revelando a realidade de uma frota envelhecida que sustenta grande parte da economia baseada em aplicativos.

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Esses dados foram coletados em uma amostra de 1,8 milhão de corridas realizadas em abril de 2026 e destacam a urgência da nova política pública voltada para o incentivo ao crédito.

O panorama da frota de motocicletas

Os dados da plataforma Machine indicam que 40,13% das viagens de entrega foram efetuadas com motocicletas fabricadas até 2015. Essa informação evidencia a longevidade dos veículos utilizados nas ruas brasileiras e levanta questões sobre a sustentabilidade financeira dos trabalhadores do setor.

A análise do setor de entregas revela duas tendências: por um lado, os modelos antigos com mais de dez anos dominam as entregas (40,13%), o que eleva os custos de manutenção e compromete a eficiência dos entregadores; por outro lado, cerca de 38% das entregas foram realizadas por modelos mais novos, fabricados entre 2022 e 2026, embora esses ainda não superem os veículos mais antigos.

Apesar do envelhecimento da frota, o estudo mostra que a situação é viável. Do total de entregas analisadas, impressionantes 91,11% foram realizadas por veículos que se encaixam nos critérios do programa Move Brasil. Isso significa que as diretrizes da nova linha de financiamento abrangem quase toda a frota ativa atualmente em circulação.

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Desafios financeiros para renovação da frota

O foco principal do Move Brasil é aumentar a produção de veículos zero quilômetro no país, incluindo motocicletas com até 160 cilindradas e bicicletas elétricas com potência máxima de 1.000 watts. No entanto, especialistas alertam que os obstáculos à substituição das motos vão além do desejo dos trabalhadores por novos modelos. “O programa não apenas incentiva a compra de veículos novos, mas busca corrigir um descompasso estrutural.

A presença massiva de motos antigas reflete barreiras históricas ao acesso ao crédito, informalidade e instabilidade na renda”, explica Júlia Camossa, estatística responsável pela pesquisa realizada pela Machine.

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A transição para veículos elétricos ainda parece distante para muitos profissionais que atuam nas ruas. O levantamento revelou que os veículos elétricos representaram apenas 0,2% das entregas analisadas, sendo quase totalmente restritos a nichos específicos.

Essa escassez reforça o fato de que o setor continua amplamente dependente dos combustíveis fósseis.

No que diz respeito à preferência dos entregadores, os modelos mais populares do mercado nacional são os preferidos devido ao seu baixo custo de manutenção e à alta durabilidade. Entre eles estão as motocicletas da linha Honda: CG 160, CG 150 e CG 125 dominam as operações.

Outros modelos urbanos como Honda Biz e Yamaha Factor também ocupam posições relevantes na escolha dos usuários.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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