Moraes ou Mendonça: quatro votos ainda podem definir maioria no caso Master no STF

André Mendonça deve levar o relatório da PF ao plenário na próxima semana, enquanto Paulo Gonet defende o arquivamento e quatro votos seguem decisivos.

À esquerda, o ministro Alexandre de Moraes; à direita, André Mendonça

O ministro André Mendonça deve apresentar ao plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), na próxima semana, o relatório da PF (Polícia Federal) que indica ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex – banqueiro Daniel Vorcaro. A medida contraria a posição do procurador – geral da República, Paulo Gonet, que pediu a anulação e o arquivamento da investigação.

Gonet apontou problemas na forma como o caso foi conduzido e apurado. Também contestou a decisão de Mendonça de abrir uma investigação contra outro integrante do STF. Pelo regimento interno da Suprema Corte, cabe exclusivamente ao plenário processar e julgar os próprios ministros em crimes comuns.

Como pode ficar a votação no STF

Durante o Grande Debate Eleições, o analista de Política Caio Junqueira afirmou que Mendonça prepara um pedido para abrir investigação contra Moraes. A análise considera a atual composição do tribunal, que tem 10 ministros, mas funciona com uma vaga aberta.

A cadeira disponível seria ocupada por Jorge Messias, cuja indicação foi rejeitada pelo Senado. Como Alexandre de Moraes não participaria da votação de um caso relacionado à própria investigação, o julgamento teria nove ministros.

Entre os votos apontados como contrários à abertura da apuração estão os de Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Mendonça teria, inicialmente, o apoio do próprio voto, além de Luiz Fux e Edson Fachin.

Com essa divisão, quatro ministros ainda seriam decisivos para o resultado. O posicionamento desse grupo pode definir se haverá ou não uma investigação formal contra Moraes.

Ministros ainda são considerados incógnitas

Dias Toffoli aparece entre os votos indefinidos. O ministro também teria envolvimentos com Daniel Vorcaro, e sua presença na análise do caso ainda não está confirmada.

Leia também

Toffoli enfrenta desgaste com a ala formada por Gilmar Mendes, Moraes e Zanin desde uma reunião secreta que teria sido gravada. O vazamento do encontro é atribuído pelos ministros a Toffoli. Se decidir votar, ele poderia apoiar Mendonça.

Nunes Marques é visto como outro possível aliado de Mendonça. Já Cármen Lúcia teria uma relação difícil com Mendonça, mas manteria proximidade com Moraes. A ministra também é descrita como sensível à opinião pública, o que poderia influenciar sua decisão em um julgamento transmitido ao vivo.

O cenário ocorre enquanto editoriais de jornais defendem até a renúncia de Moraes. Para Caio Junqueira, esse ambiente pode pesar na avaliação de Cármen Lúcia, embora ainda não seja possível afirmar como ela votará.

Data do julgamento ainda não foi definida

O entorno de Mendonça fez um levantamento que indica maioria favorável à abertura da investigação. Caio Junqueira, porém, pondera que o resultado não está assegurado e que novos acontecimentos podem mudar a posição dos ministros até a sessão.

Na avaliação do analista, Edson Fachin terá a responsabilidade de definir a data em que o plenário discutirá a abertura ou o arquivamento de uma apuração formal. Até lá, os votos considerados incertos continuarão sendo determinantes para o desfecho do caso.