Moradores de La Guaira buscam sobreviventes entre escombros após terremotos e criticam governo

Moradores de La Guaira enfrentam dificuldades na busca por sobreviventes, criticando a ineficácia do governo em fornecer apoio e recursos adequados.

01/07/2026 03:57

4 min

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Moradores de La Guaira continuam a busca por sobreviventes entre os escombros de edifícios que foram destruídos após dois fortes terremotos, ocorridos há quase uma semana. Uma escavadeira do governo, posicionada ao lado de uma pilha de concreto e vergalhões retorcidos, permanece parada por falta de combustível.

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Apesar da Venezuela possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, muitos cidadãos se veem obrigados a retirar amigos e familiares dos destroços com suas próprias mãos.

A situação tem gerado críticas intensas à resposta do governo venezuelano diante da tragédia. “As pessoas estão indignadas”, afirma Carmen Beatriz Fernández, analista política e diretora da consultoria Data Strategia. Para ela, o que se observa é um reflexo de outras tragédias: “dedicar a capacidade do Estado apenas à repressão e à propaganda”.

A líder da oposição, María Corina Machado, voltou à Venezuela após um período de exílio nos Estados Unidos e declarou que é necessário estar unido neste momento difícil.

Resposta do governo aos desastres

Apesar das críticas, o governo defende sua atuação após os terremotos. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, mencionou uma nova iniciativa para organizar voluntários conforme prioridades estabelecidas. Por sua vez, Diosdado Cabello, ministro do Interior, pediu à população que confiasse nas autoridades e ajudasse a identificar desaparecidos para facilitar o trabalho de resgate.

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A situação é crítica em La Guaira, onde o cheiro de decomposição invade o ar úmido da região mais afetada pelo desastre. A CNN flagrou pessoas utilizando picaretas e pás para remover os destroços das residências. A engenheira Hassel Mendoza, que veio de Tampa em busca de familiares desaparecidos em um prédio de nove andares, relatou dificuldades na busca devido à falta de equipamentos adequados.

Mendoza está dormindo no chão desde sua chegada e afirmou que a busca tem sido complicada sem ferramentas apropriadas. A equipe da Defesa Civil do estado vizinho de Aragua não dispunha nem mesmo de perfuradeiras ou sensores para acelerar a remoção dos escombros.

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Embora doações de água tenham chegado ao local, elas ainda são insuficientes para atender às necessidades emergenciais.

Número crescente de vítimas

No último boletim divulgado por Jorge Rodríguez, ao menos 1.943 pessoas haviam morrido em decorrência dos tremores — cerca de 200 a mais do que no dia anterior. Contudo, acredita – se que esse número seja muito maior. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) sugere uma alta probabilidade de mortes adicionais.

O coordenador residente e humanitário da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla, anunciou a aquisição de 10 mil sacos para cadáveres devido à expectativa crescente de novas fatalidades.

Em meio ao caos, muitas pessoas permanecem acampadas em frente às casas dos familiares desaparecidos. Mendoza expressou sua esperança: “Ainda temos uma pequena esperança de que minha família esteja viva”, disse ela. Historicamente, houve resgates considerados milagrosos em situações semelhantes na Venezuela, mesmo após o chamado “período crítico” para encontrar sobreviventes.

Jack Thorpe, voluntário da organização Resource Rescue International, comentou sobre as condições difíceis enfrentadas pelos sobreviventes sob os escombros: “Estamos procurando tanto sobreviventes quanto vítimas”, afirmou ele. Thorpe chegou da Carolina do Norte e continua esperançoso quanto à possibilidade de encontrar pessoas vivas.

A dor das famílias

Deivis Ramos não consegue chorar desde que suas duas filhas morreram nos terremotos. Para ele, isso não ajudaria na busca pelos corpos nos escombros do prédio onde viviam os avós das crianças. “Não posso pensar em chorar”, disse Ramos. Ele perdeu Darling Antonella, 7 anos, e Dulce María, 2 anos; ambas estavam com os avós quando ocorreu a tragédia.

Pai e voluntários continuam escavando incansavelmente na esperança de encontrar as crianças e dar – lhes um descanso digno. Ramos elogiou a ajuda recebida tanto nacional quanto internacionalmente: “Desde o primeiro dia chegaram patrulhas e equipes de resgate”.

Contudo, as máquinas pesadas inicialmente utilizadas foram deslocadas após não encontrarem sinais de vida no edifício danificado.

No entanto, Ramos segue firme em sua missão: “Só pedimos forças para chegar até onde elas estão”. Até agora ele encontrou apenas objetos pessoais como celulares e roupas no apartamento desmoronado das filhas. “Já aceitamos o que aconteceu”, concluiu ele profundamente emocionado.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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