Moodys Local Brasil mantém nota AAbr da Irani Papel e Embalagem com perspectiva estável
Moodys Local Brasil reafirma a nota AAbr da Irani Papel e Embalagem, destacando a solidez operacional da empresa em um cenário de investimentos elevados.
A Moodys Local Brasil confirmou nesta segunda – feira (29) a nota de emissor AAbr da Irani Papel e Embalagem, mantendo também a classificação da sexta emissão de debêntures da empresa, ambas com perspectiva estável. A decisão reflete a análise de que a fabricante, especializada em papéis para embalagens e embalagens de papelão ondulado, apresenta fundamentos operacionais sólidos, mesmo diante de um cenário de investimentos elevados nos próximos anos.
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Segundo a Moodys, a Irani se destaca como a quarta maior produtora de papéis para embalagens no Brasil. A agência elogiou a diversificação do portfólio da companhia, sua ampla base de clientes e a atuação tanto no mercado doméstico quanto no externo.
Outro ponto positivo mencionado foram as margens superiores à média do setor, impulsionadas pela verticalização das operações.
Desempenho do setor
No relatório, a Moodys observou que o segmento de papel para embalagens foi afetado por paradas programadas para manutenção e modernização industrial, incluindo reformas na máquina de papel MP 5 dentro do projeto Gaia XI. Essas interrupções resultaram em uma redução na produção de papéis rígidos e flexíveis, contribuindo para uma queda de 2,2% nas vendas do segmento nos últimos 12 meses até março.
Apesar disso, a receita avançou 0,8%, sustentada principalmente pelo aumento nos preços dos produtos. O setor de embalagens de papelão ondulado teve um desempenho melhor, com um aumento médio de 10% nos preços e crescimento de 4,8% na receita. No entanto, os volumes comercializados caíram 4,6%, reflexo da estratégia da empresa que prioriza rentabilidade em vez de expansão.
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A Moodys destacou que o modelo verticalizado da Irani ajuda a manter uma estrutura de custos competitiva. Contudo, alguns eventos pontuais pressionaram as despesas no início deste ano, como a necessidade de adquirir papel de terceiros e energia no mercado devido a problemas operacionais em uma das unidades.
Perspectivas futuras
Para os próximos 12 a 18 meses, a Moodys projeta um crescimento anual aproximado de 6% na receita e espera que a margem Ebitda ajustada se mantenha próxima dos 35%. Esse crescimento é impulsionado pelo bom desempenho da indústria de embalagens de papelão ondulado.
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O relatório também menciona um novo ciclo de investimentos da Irani.
Em maio deste ano, o conselho administrativo aprovou um plano que prevê R 514 milhões em investimentos para expandir a capacidade da unidade localizada em Santa Luzia (MG). Paralelamente, a empresa anunciou sua Plataforma Neos. Essa estratégia ainda está em fase inicial e prevê a construção de duas novas fábricas de embalagens e uma máquina de papel com o objetivo de dobrar sua participação no mercado até 2034.
Ainda que esses projetos necessitem de mais detalhes e aprovações antes de serem incorporados às projeções da agência, a Moodys acredita que a Irani conseguirá manter indicadores financeiros compatíveis com sua classificação atual. A expectativa é que a alavancagem bruta fique entre 3,0 e 3,5 vezes o Ebitda nos próximos 12 a 18 meses.
A liquidez foi outro fator destacado pela agência como pilar fundamental do rating concedido à empresa. Ao final de março de 2026, a Irani tinha R760 milhões em caixa frente a R 375 milhões em dívidas curtas. Além disso, possui ativos florestais avaliados em R 638 milhões, que podem servir como fonte adicional de liquidez se necessário.
A perspectiva estável atribuída pela Moodys indica que se espera que a Irani continue apresentando um desempenho operacional consistente e mantenha disciplina na alocação do capital ao longo deste novo ciclo de investimentos.