Mojtaba Khamenei ordena resposta imediata a qualquer ataque, sem restrições geográficas
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ordenou que as Forças Armadas respondam de forma imediata e contundente a qualquer nova ameaça ou ataque, sem restrições geográficas. A determinação foi divulgada no sábado (31/10) pela agência estatal iraniana IRNA, logo após uma reunião de Khamenei com os principais comandantes militares.
Pelo texto divulgado, a decisão vale também para o caso de adversários retomarem ataques militares ou ações que Teerã classifica como terroristas. Nesse cenário, caberá às forças iranianas e à população definir quando e em que condições as hostilidades terminam.
Lista de alvos passa a incluir ativos dos EUA e de Israel
Khamenei também mandou atualizar a lista de alvos militares. Ela deve passar a incluir instalações e outros ativos dos Estados Unidos e de Israel que estejam ao alcance das tropas iranianas.
Durante o encontro, os comandantes apresentaram o nível de prontidão nas áreas costeiras do Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã. Também relataram a situação nas fronteiras noroeste e sudeste do país.
A mensagem veio acompanhada de um alerta do porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia. Ele afirmou que uma nova ofensiva dos Estados Unidos e de Israel espalharia o conflito por uma área muito maior. “As chamas da guerra inevitavelmente envolverão uma área geográfica muito mais ampla”, disse ele, em recado dirigido ao presidente norte-americano, Donald Trump.
Catar atua como intermediário entre Teerã e Washington
Enquanto o Irã reforça as advertências militares, o Catar tenta destravar as negociações entre Teerã e Washington. Uma delegação catariana esteve em Teerã na sexta-feira (30/10) e conversou com autoridades iranianas.
No sábado (31/10), representantes dos dois países retomaram os contatos em Doha, segundo a agência Reuters, que ouviu fontes ligadas às conversas. O objetivo é impedir a volta dos confrontos e chegar a um entendimento sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás.
A proposta catariana, porém, foi considerada insatisfatória por autoridades iranianas.
Teerã quer alívio econômico antes de discutir o programa nuclear
O governo iraniano defende um plano de sete dias. A proposta prevê a suspensão do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos do país, a liberação de ativos iranianos no exterior e medidas para reabrir o Estreito de Ormuz.
Washington prefere que o programa nuclear iraniano entre na mesa desde o início. Já Teerã insiste que o alívio nas restrições econômicas e marítimas precisa vir antes.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país segue em contato com intermediários para discutir como colocar a proposta em prática. Em declaração divulgada ao longo desta semana, ele disse que as Forças Armadas estão preparadas para defender o território, mas que o governo ainda aposta na diplomacia.
As negociações acontecem depois da ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, seguida de represálias iranianas na região. Um entendimento firmado em junho não garantiu um cessar-fogo duradouro nem normalizou a circulação pelo Estreito de Ormuz.
Em comunicado oficial divulgado na sexta-feira (30/10), o Catar reafirmou seu compromisso com a mediação diplomática e com a redução das tensões em conflitos armados. O país defendeu a continuidade dos esforços para alcançar uma paz duradoura.
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