Moderna e Merck: vacina de mRNA feita para cada tumor corta em 42% risco de volta do melanoma
Uma vacina terapêutica personalizada contra o melanoma, usada em conjunto com o medicamento Keytruda, diminuiu em 42% o risco de o câncer de pele voltar ou de o paciente morrer, na comparação com a imunoterapia aplicada sozinha. Os dados detalhados foram divulgados pelas farmacêuticas Merck e Moderna na quinta-feira (22).
O resultado vem de um estudo clínico de fase 3 com 1.137 pacientes que já tinham passado por cirurgia para retirar o tumor. A terapia ainda é investigacional, e as empresas conversam com autoridades regulatórias sobre uma possível solicitação de aprovação.
No Brasil, não há previsão de chegada do imunizante.
Combinação reduziu recidiva e metástase em dois anos
Batizado de “INTerpath-001”, o estudo acompanhou pessoas com melanoma cutâneo em estágios de IIB a IV, depois da remoção completa do tumor. Uma parte dos participantes recebeu a terapia experimental junto com o Keytruda. A outra recebeu só o medicamento.
Depois de um acompanhamento mediano de 24,6 meses, os pesquisadores registraram queda de 42% no risco relativo de recidiva ou morte no grupo da combinação. Já o risco de metástase à distância ou morte caiu 38%.
Ao fim de dois anos, 82,2% dos pacientes tratados com a combinação estavam vivos e sem retorno da doença, contra 70% dos que usaram apenas o Keytruda. Quando o critério é a ausência de metástases à distância ou morte, os índices foram de 88,5% e 80,2%, respectivamente.
Os números apontam um ganho adicional em relação à imunoterapia isolada. A redução de 42%, porém, diz respeito ao risco relativo de recidiva ou morte. Ela não significa que 42% dos pacientes foram curados.
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Como funciona a vacina feita para cada tumor
A terapia se chama “intismeran autogene” e também é identificada como V940 ou mRNA-4157. Ela usa RNA mensageiro para identificar alterações específicas presentes no tumor de cada pessoa e treinar o sistema imunológico a reconhecer essas características e atacar as células cancerígenas.
Ao contrário das vacinas preventivas, que buscam evitar infecções ou doenças, essa é terapêutica. O público-alvo são pessoas que já receberam o diagnóstico de câncer e tiveram o tumor retirado em cirurgia.
O parceiro no tratamento é o pembrolizumabe, princípio ativo do Keytruda. A imunoterapia bloqueia a proteína PD-1, mecanismo que alguns tumores usam para escapar das defesas do organismo.
Sobrevida geral ainda não foi comprovada
Apesar do desempenho contra recorrência e metástases, os dados de sobrevida geral ainda não são conclusivos. O estudo segue em andamento para avaliar esse e outros desfechos clínicos.
Efeitos adversos ligados ao tratamento apareceram em 95,8% dos pacientes que receberam a combinação, ante 90% no grupo do Keytruda isolado. Os eventos graves, classificados entre os graus 3 e 5, atingiram 14,2% e 13,4% dos participantes, respectivamente. Segundo as empresas, não foram identificados novos sinais de segurança.
Como a terapia ainda está em fase de investigação, os resultados não significam que a vacina esteja autorizada para uso clínico. As farmacêuticas e a Anvisa foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação.
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Redação Saúde e Educação
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