Moderna e Merck anunciam resultados promissores contra o câncer; ações sobem na bolsa

Vacinas personalizadas contra o melanoma mostram resultados promissores no tratamento do tipo agressivo de câncer; novas terapias impulsionam ações na bolsa.

Moderna

As ações da biotecnologia americana Moderna dispararam no pré – mercado desta quarta – feira (19), subindo mais de 100%. O salto veio após a empresa e o laboratório farmacêutico Merck anunciar que uma vacina experimental personalizada contra câncer alcançou seu principal objetivo em um estudo clínico fase 3.

O impacto foi sentido nos valores das bolsas, onde os papéis já acumulavam alta expressiva: enquanto MRNA registrava valorização de 81,26% por volta das 09h 20 do horário de Brasília, as ações da Moderna saltaram impressionantes 104,02%, refletendo grande expectativa no mercado internacional.

A reação intensa na Moderna é atribuída ao tamanho comparativo entre ambas as companhias; antes mesmo do pregão começar, a Merck tinha cerca de US333 bilhões em valor de mercado e a biotecnologia girava perto dos US 25 bilhões.

Detalhes clínicos revelam sucesso contra o melanoma

O estudo clínico envolveu mais de mil pacientes com diagnóstico avançado ou alto risco de melanomas que já haviam sido submetidos à cirurgia para remoção completa do tumor. O teste focou justamente combinar uma vacina desenvolvida pela Moderna junto à imunoterapia Keytruda da própria Merck.

Segundo as duas empresas envolvidas no projeto, essa combinação terapêutica prolongou significativamente o período durante o qual os paciente permanecerão livres das recidivas cancerígenas em comparação ao uso isolado apenas do Keytruda — tratamento considerado padrão até hoje para a doença na pele.

Além disso, foi possível reduzir também o perigo de disseminação da enfermidade para órgãos mais distantes dos locais originais afetados pelo câncer.

Tecnologia personalizada e futuro comercial

A tecnologia por trás dessa vacina é altamente individualizada. Batizando – a como “intismeran autogene”, ela utiliza plataformas desenvolvidas pela Moderna com foco inédito: identificardezenas de mutações específicas pertencentes somente àquele paciente específico, fugindo assim de uma fórmula padronizadora única em massa.

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Jane Healy, chefe do desenvolvimento oncológico inicial na Merck, explicou que a proposta central desse tratamento inovador consiste justamente treinar o sistema imunológico para reconhecerem e eliminarem marcadores exclusivos dos tumores malignos. Ela classificou esse resultado clínico comparado ao Keytruda isoladamente como algo “muito emocionante”, além de notar que os efeitos colaterais foram parecidos aos observados no uso contra outras doenças distintas.

Os cientistas da Moderna e da própria companhia falaram com jornalistas recentemente sobre um diferencial importante: é crucial aplicar este tipo de terapia logo após cirurgia — momento em que as defesas naturais do corpo estão mais vulneráveis.

Ampliando horizontes terapêuticos

O sucesso não se restringe apenas à luta contra o melanoma, a principal área até agora explorada pela empresa biotecnológica. A vacina já está sendo testada por Merck e Moderna para combater outros tipos sérios de câncer; entre eles constam tumores pulmonares de células não pequenas, bexiga, rim, estômago e pâncreas.

Isso reforça uma expectativa dos analistas: é provável que valorização atual da Moderna reflita perspectivas muito além das aplicações em melanomas.

Para as empresas envolvidas no projeto comercialmente também há grandes ganhos estratégicos. O avanço ajuda diretamente na estratégia financeira da Merck ao buscar novos produtos capazes de compensar a receita esperada com o vencimento futuro das patentes do Keytruda — medicamento hoje líder mundial nas vendas.

Ainda sobre os dados clínicos mais amplos, embora um acompanhamento feito por cinco anos já tivesse apontado queda estimada de cerca de 50% tanto para taxa de recorrência quanto mortalidade entre pacientes tratados pela combinação, ainda faltam informações completas que serão apresentadas num congresso médico internacional e em pedidos formais aos reguladores americanos.