Milei confirma saída do embaixador argentino em Brasília após crise com Lula e Moraes

A saída do embaixador argentino marca um novo capítulo na crise diplomática, evidenciando tensões entre Milei e os líderes brasileiros.

07/08/2026 23:00

3 min

Presidente da Argentina, Javier Milei, em Ramat Gan, Israel
Presidente da Argentina, Javier Milei, em Ramat Gan, Israel

A crise diplomática entre Brasil e Argentina se intensificou com a confirmação da partida do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, que deixará o país no próximo domingo (9). Essa decisão ocorre após o Itamaraty rebaixar o nível das relações diplomáticas entre as duas nações para encarregados de negócios.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fontes diplomáticas argentinas informaram que Raimondi partirá do Brasil pela manhã. A partir de sua saída, a representação argentina em Brasília será liderada pela ministra Maria Emília Cortes, atual chefe de chancelaria da embaixada.

Contexto da crise diplomática

A ruptura nas relações teve início quando Javier Milei participou da Convenção Nacional do Partido Liberal, onde lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Durante o evento, ele proferiu ofensas ao presidente Lula, chamando – o de “presidiário”, e atacou Alexandre de Moraes, referindo – se a ele como “lixo careca”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No dia seguinte, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas.

Apesar das medidas adotadas pelo governo brasileiro, Milei seguiu concedendo entrevistas na Argentina e intensificando os ataques. Nos dias seguintes, ele chamou Lula de “ladrão” e “corrupto”, além de acusá – lo de financiar a campanha do ex – ministro Sérgio Massa contra ele nas eleições presidenciais de 2023.

Esse conjunto de insultos levou o Itamaraty a decidir não reenviar o embaixador brasileiro para Buenos Aires.

Cooperação bilateral e análise da crise

Mesmo com o rebaixamento das relações diplomáticas, a cooperação entre Brasil e Argentina permaneceu inalterada. Dois dias após a decisão do Itamaraty, Milei assinou um decreto permitindo a entrada de militares da Marinha Brasileira na Argentina para um exercício militar — uma tradição que se repete desde 1978.

Leia também

O decreto também autorizou a entrada de embarcações como fragatas e submarinos nas águas argentinas.

O analista internacional Lourival Sant Anna, da CNN, destaca que essa dinâmica da crise reflete uma estratégia deliberada de Milei. Ele observa: “É evidente que quem está com a iniciativa é Javier Milei. Foi ele que puxou Lula para a briga.” Segundo Sant Anna, Milei utiliza Lula como uma forma de elevar seu próprio perfil político regional e se posicionar como principal antagonista da esquerda na América Latina.

Para Sant Anna, é importante notar que no campo da agressão pessoal, a iniciativa foi de Milei, enquanto que no aspecto diplomático houve uma contaminação provocada pelo Brasil. Ele acredita que uma abordagem mais inteligente seria evitar envolver a diplomacia na disputa pessoal entre os dois líderes.

Perspectivas futuras

Sobre uma possível normalização das relações entre os países, o analista prevê que isso só deve acontecer após as eleições argentinas marcadas para outubro do próximo ano. Nessa ocasião, Milei poderá buscar sua reeleição.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!