Might Earth denuncia irregularidades na cadeia do Grupo Mateus por desmatamento ambiental

Might Earth denuncia desmatamento ilegal na produção do Grupo Mateus por conta de irregularidades ambientais.

Uma das 270 lojas do Grupo Mateus, terceira maior rede de supermercado do país.

O relatório da organização ambientalista internacional Might Earth aponta graves irregularidades na cadeia de fornecimento de carne bovina utilizada pelo Grupo Mateus em diferentes regiões brasileiras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A investigação coletou mais de 430 produtos entre os anos de 2023 e 2024, abrangendo lojas do grupo nos estados como Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe; a maioria dos itens analisados seguia rotas que iam das áreas Norte para o Nordeste.

Segundo dados levantados pela ONG, há sérias questões ambientais ligadas ao desmatamento ilegal no processo produtivo da rede.

Risco ambiental: Desmate na Amazônia e falta de compromisso setorial

A Mighty Earth aponta um histórico preocupante em relação às práticas socioambientais do Grupo Mateus, terceiro maior supermercado brasileiro com mais de 270 lojas espalhadas por dez estados do Norte e Nordeste. O relatório afirma que cerca de 40% das carnes analisadas provêm de áreas associadas a casos de trabalho análogo à escravidão ou sem origem definida quanto ao desmatamento. Além disso, pelo menos metade (54%) da carne encontrada nas unidades varejistas tem procedência ligada a frigoríficos que não demonstram compromisso ambiental.

A análise também identificou nove grandes fornecedores na rede cujas propriedades foram usadas para comprar gados oriundos de terras incluídas em listas sujas relacionadas às violações trabalhistas históricas no país. A ferramenta desenvolvida pela organização conseguiu rastrear mais de 5.147 hectares potencialmente ligados ao descaso com o meio ambiente; esses locais estão localizados nos biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado — um dado referente à janela entre 2024 e 2025.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ausência de transparência corporativa sobre a cadeia produtiva

A investigação revelou que critérios claros de compra não são divulgados pelo Grupo Mateus para sua carne bovina. Segundo os pesquisadores da Might Earth, além disso, a empresa também falha em publicar relatórios detalhados ou apresentar sistemas públicos robustos de rastreabilidade do produto vendido nas lojas. Ademais, o grupo nunca aderiu ao Protocolo Boi na Linha, iniciativa criada justamente com foco no apoio à implementação do TAC (Termo de Ajuste de Conduta) da Carne.

O histórico encontrado pela ONG vai muito além das questões ambientais e regulatórias; foram identificadas violações extensas dos direitos humanos trabalhistas dentro da rede varejista. Desde 2023 até agora, há mais de 29 centenas de processos judiciais em andamento que tratam desses casos — incluindo alegações sobre mortes ou torturas envolvendo homens negros —, totalizando indenizações estimadas em cerca de R139 milhões. Em resposta às descobertas, a JBS informou à Folha de SPaulo que todas as compras citáveis no relatório seguiram os critérios do TAC da Carne.

Leia também

Demandas e posicionamentos após investigação

A Mighty Earth cobra publicamente uma série de compromissos imediatos junto ao Grupo Mateus: o estabelecimento imediato de um pacto público com meta zero de desmatamento; cortar relações comerciais imediatamente com fornecedores ligados tanto à destruição dos biomas quanto aos direitos humanos violados. A organização também exige transparência total na divulgação completa das listas desses produtores. Por fim, é solicitada a criação urgente de mecanismos para receberem acompanhamento oficial sobre denúncias que surgirem em toda sua cadeia.

Vale notar que os pesquisadores tentaram contato direto e não obtiveram retorno da empresa após divulgar todos esses dados complexos do setor produtivo brasileiroO espaço está aberto*por parte da Mighty Earth aguardando um posicionamento formal.