Might Earth denuncia irregularidades na cadeia do Grupo Mateus por desmatamento ambiental

Might Earth denuncia desmatamento ilegal na produção do Grupo Mateus por conta de irregularidades ambientais.

15/07/2026 18:08

3 min

Uma das 270 lojas do Grupo Mateus, terceira maior rede de supermercado do país.
Uma das 270 lojas do Grupo Mateus, terceira maior rede de superm...

O relatório da organização ambientalista internacional Might Earth aponta graves irregularidades na cadeia de fornecimento de carne bovina utilizada pelo Grupo Mateus em diferentes regiões brasileiras.

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A investigação coletou mais de 430 produtos entre os anos de 2023 e 2024, abrangendo lojas do grupo nos estados como Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe; a maioria dos itens analisados seguia rotas que iam das áreas Norte para o Nordeste.

Segundo dados levantados pela ONG, há sérias questões ambientais ligadas ao desmatamento ilegal no processo produtivo da rede.

Risco ambiental: Desmate na Amazônia e falta de compromisso setorial

A Mighty Earth aponta um histórico preocupante em relação às práticas socioambientais do Grupo Mateus, terceiro maior supermercado brasileiro com mais de 270 lojas espalhadas por dez estados do Norte e Nordeste. O relatório afirma que cerca de 40% das carnes analisadas provêm de áreas associadas a casos de trabalho análogo à escravidão ou sem origem definida quanto ao desmatamento. Além disso, pelo menos metade (54%) da carne encontrada nas unidades varejistas tem procedência ligada a frigoríficos que não demonstram compromisso ambiental.

A análise também identificou nove grandes fornecedores na rede cujas propriedades foram usadas para comprar gados oriundos de terras incluídas em listas sujas relacionadas às violações trabalhistas históricas no país. A ferramenta desenvolvida pela organização conseguiu rastrear mais de 5.147 hectares potencialmente ligados ao descaso com o meio ambiente; esses locais estão localizados nos biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado — um dado referente à janela entre 2024 e 2025.

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Ausência de transparência corporativa sobre a cadeia produtiva

A investigação revelou que critérios claros de compra não são divulgados pelo Grupo Mateus para sua carne bovina. Segundo os pesquisadores da Might Earth, além disso, a empresa também falha em publicar relatórios detalhados ou apresentar sistemas públicos robustos de rastreabilidade do produto vendido nas lojas. Ademais, o grupo nunca aderiu ao Protocolo Boi na Linha, iniciativa criada justamente com foco no apoio à implementação do TAC (Termo de Ajuste de Conduta) da Carne.

O histórico encontrado pela ONG vai muito além das questões ambientais e regulatórias; foram identificadas violações extensas dos direitos humanos trabalhistas dentro da rede varejista. Desde 2023 até agora, há mais de 29 centenas de processos judiciais em andamento que tratam desses casos — incluindo alegações sobre mortes ou torturas envolvendo homens negros —, totalizando indenizações estimadas em cerca de R139 milhões. Em resposta às descobertas, a JBS informou à Folha de SPaulo que todas as compras citáveis no relatório seguiram os critérios do TAC da Carne.

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Demandas e posicionamentos após investigação

A Mighty Earth cobra publicamente uma série de compromissos imediatos junto ao Grupo Mateus: o estabelecimento imediato de um pacto público com meta zero de desmatamento; cortar relações comerciais imediatamente com fornecedores ligados tanto à destruição dos biomas quanto aos direitos humanos violados. A organização também exige transparência total na divulgação completa das listas desses produtores. Por fim, é solicitada a criação urgente de mecanismos para receberem acompanhamento oficial sobre denúncias que surgirem em toda sua cadeia.

Vale notar que os pesquisadores tentaram contato direto e não obtiveram retorno da empresa após divulgar todos esses dados complexos do setor produtivo brasileiroO espaço está aberto*por parte da Mighty Earth aguardando um posicionamento formal.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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