México e EUA aceleram acordo comercial antes das eleições de meio de mandato

México e EUA correm contra o relógio para fechar pacto bilateral antes das eleições de novembro, após fracasso de negociações com o Canadá.

Presidente dos EUA, Donald Trump e a presidente do México, Claudia Sheinbaum

México e Estados Unidos aceleram as negociações para fechar um acordo comercial bilateral antes das eleições de meio de mandato nos EUA, que ocorrem em menos de oito semanas. O movimento ganhou urgência após o colapso das conversas entre Canadá e Washington, segundo seis fontes dos dois países que acompanham as tratativas.

“Ambos queremos chegar a um acordo antes das eleições de meio de mandato”, afirmou uma fonte baseada no México, que falou sob condição de anonimato. O prazo informal é 3 de novembro, data do pleito em que o Partido Republicano do presidente Donald Trump corre risco de perder o controle do Congresso.

Um acordo permitiria que os líderes dos dois países anunciassem uma vitória política em meio a desafios internos.

Pressão mexicana por alívio econômico

“O tempo urge para o governo mexicano”, disse a mesma fonte, citando a fragilidade da economia e a queda na classificação de crédito da dívida do país. O governo da presidente Claudia Sheinbaum, que apresentou esta semana o orçamento para 2027, vê no pacto comercial uma forma de tranquilizar mercados e investidores.

Um porta – voz do Ministério da Economia do México afirmou que “não há prazos específicos neste momento”, mas reforçou o compromisso do governo com o diálogo com Washington. O Representante Comercial dos EUA e a Casa Branca não responderam a pedidos de comentário.

O México envia mais de 80% de suas exportações para os Estados Unidos. A estratégia do país, segundo a fonte mexicana, é “manter a cordialidade e continuar a cooperar” — abordagem que se fortaleceu depois que as negociações com o Canadá fracassaram no mês passado, mergulhando os aliados em uma disputa tarifária.

Na terça – feira (8), Ottawa prometeu retaliar as tarifas americanas dólar por dólar.

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Reunião virtual e obstáculos tarifários

O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, se reuniu virtualmente com Sheinbaum na quinta – feira (10) para discutir comércio. O encontro, que inicialmente seria presencial, ocorreu menos de duas semanas depois de Sheinbaum propor uma legislação que dá ao governo poderes para analisar e bloquear aquisições estrangeiras de empresas mexicanas.

A medida é vista como resposta à pressão dos EUA por um controle mais rigoroso sobre investimentos chineses.

As negociações são tratadas como um esforço para um acordo bilateral provisório, enquanto questões do pacto USMCA, que inclui o Canadá, seguem em aberto. O acordo trilateral ficou incerto em julho, quando Trump usou o processo de revisão anual para buscar concessões adicionais.

Um grande entrave são as tarifas da Seção 232 sobre aço, alumínio, automóveis e autopeças. O aço mexicano e canadense exportado para os EUA já enfrenta essas taxas de segurança nacional. Trump negociou tarifas menores para outros parceiros — 15% para Japão, União Europeia e Coreia do Sul, e 10% para a Grã – Bretanha —, fazendo com que alguns veículos desses países paguem menos que os importados do México e do Canadá.

Concessões esperadas e interesses divergentes

Antes do colapso com o Canadá, Washington parecia perto de um acordo com Ottawa sobre as tarifas da Seção 232. Montadoras acreditam que os EUA podem oferecer ao México uma estrutura similar: tarifa de 15% sobre veículos importados, com redução adicional para conteúdo americano, elevando a taxa efetiva para cerca de 7%.

Em troca, espera – se que o México ceda às exigências por maior conteúdo americano em veículos, especialmente em motores, eletrônicos e software, disse uma segunda fonte baseada no México. “Isso não significa que não estará trabalhando em algo para ajudar a aumentar o conteúdo americano”, afirmou a fonte. “A forma final de tal acordo é a grande questão.”

Autoridades do México e do Canadá enfatizam publicamente o compromisso com um acordo trilateral, mas nos bastidores alguns funcionários mexicanos argumentam que o país não deve sacrificar seus próprios interesses para garantir um pacto para Ottawa.

Uma fonte da indústria automobilística afirmou que o governo Trump quer isolar o Canadá, fechando um acordo com o México antes que as novas tarifas canadenses entrem em vigor em 1º de janeiro.

Diego Marroquin Bitar, especialista em comércio americano e consultor, disse que um acordo entre EUA e México poderia reduzir preços ao consumidor nos Estados Unidos e representar uma “vitória política” para Trump. “Eles poderiam argumentar que a culpa por não terem chegado a um acordo foi do Canadá.”