Merval, índice da Bolsa argentina, cai 6,24% após Lula vencer Flávio Bolsonaro no 2º turno
Os mercados argentinos operavam em queda na segunda-feira, acompanhando o recuo nas bolsas de seu principal parceiro econômico, o Brasil. O movimento veio depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo.
Às 11h10 (horário de Brasília), o índice de ações MSCI Merval caía 6,24%. No Brasil, as negociações de ações no Ibovespa despencavam mais de 17%.
Dólar e títulos argentinos também recuam
O mercado cambial argentino desvalorizava-se 0,71%, para 1.540,50 pesos por dólar. Na intradia, a moeda chegou a 1.542 pesos na venda, uma mínima histórica.
Os títulos no mercado de balcão recuavam, em média, 0,7%. O risco-país da Argentina estava em 738 pontos-básicos, nível semelhante ao registrado no final de outubro de 2025.
Analistas veem contágio e pressão sobre o real
Roberto Geretto, analista do Adcap Grupo Financiero, afirmou que “o resultado eleitoral surpreendente não é apenas uma má notícia para o mercado brasileiro. O efeito de contágio também afeta o Merval e os títulos soberanos argentinos”. Segundo ele, do ponto de vista macroeconômico, um real mais fraco pressiona o dólar ao valorizar a taxa de câmbio real multilateral.
O economista Gustavo Ber disse que o Brasil caminha para um dia difícil no mercado financeiro, com fraqueza acentuada no mercado de renda fixa e forte desvalorização do real. Para ele, os mercados terão que desfazer as expectativas geradas por uma possível vitória de Bolsonaro e absorver um novo “cisne negro”: um evento improvável, mas de grande impacto.
Ber avaliou que o contágio ao clima de pessimismo nos ativos argentinos “parece irreversível”. Ele lembrou que o mundo enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses, entre elas em Israel, nos Estados Unidos e na França, e concluiu que toda previsão pode falhar.
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