Mercados reagem ao cessar-fogo entre EUA e Irã, mas incertezas persistem sobre acordo definitivo

Mercados Reagem ao Cessar-Fogo entre EUA e Irã
Os mercados demonstram um alívio com o frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, que se manteve durante o último fim de semana. Avanços estão sendo feitos em um possível acordo para encerrar a guerra, enquanto as bolsas americanas se aproximam de máximas históricas e os futuros do petróleo caem abaixo da marca de US$ 100 por barril.
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Contudo, analistas alertam que a gasolina a US$ 5 ainda representa um risco real neste verão.
Conversa sobre um acordo vago nas redes sociais não é suficiente para tranquilizar os investidores. O mercado precisa de um acordo concreto, onde ambas as partes concordem não apenas em encerrar o conflito, mas também em reabrir o Estreito de Hormuz, uma rota estratégica que o Irã tem utilizado como pressão sobre a economia global.
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Rory Johnston, pesquisador do mercado de petróleo, destacou que Teerã hesita em reabrir o estreito, pois isso diminuiria seu poder de barganha.
Provas Necessárias para a Reabertura do Estreito
Além disso, o mercado busca evidências de que o Estreito de Hormuz realmente será reaberto, preferencialmente sem taxas que aumentem o custo do petróleo. Para resolver a crise de oferta, é essencial que o fluxo de petroleiros pelo estreito retorne aos níveis anteriores ao conflito.
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Bob McNally, presidente do Rapidan Energy Group, expressou ceticismo sobre a situação, afirmando que só acreditará quando ver resultados concretos.
Grandes players do Golfo também compartilham essa visão. Sultan Al Jaber, CEO da ADNOC, mencionou que, mesmo que o conflito termine imediatamente, levaria pelo menos quatro meses para que os fluxos pelo estreito atingissem 80% dos níveis anteriores.
A recuperação total é considerada improvável antes do primeiro semestre de 2027.
Tensões Persistem no Golfo
As incertezas sobre a sustentabilidade do cessar-fogo permanecem. Os futuros do petróleo Brent subiram 4% na terça-feira, recuperando parte das perdas da segunda-feira, enquanto as tensões no Golfo continuam elevadas. Forças dos EUA realizaram ataques de autodefesa contra locais de lançamento de mísseis iranianos, evidenciando a fragilidade do cessar-fogo e os riscos enfrentados por embarcações na região.
Mesmo em um cenário otimista, onde o cessar-fogo se mantenha e um acordo seja firmado, os danos ao sistema energético global já são significativos. A S&P Global Energy reportou que mais de 1,2 bilhão de barris de petróleo foram afetados pela guerra, e esse número cresce a cada dia que o Estreito de Hormuz permanece em grande parte fechado.
Expectativas para o Futuro dos Preços do Petróleo
Com a demanda de energia aumentando devido à temporada de viagens de verão, McNally alertou que, mesmo no melhor cenário, um aperto no mercado já é evidente. Ele prevê que os futuros do petróleo Brent podem voltar a US$ 120 ou até US$ 130 por barril, enquanto os preços da gasolina nos EUA podem se aproximar do recorde de US$ 5,02 por galão, registrado em junho de 2022.
Os preços da gasolina se estabilizaram nas últimas semanas em torno de US$ 4,50 por galão, comparados a US$ 2,98 no início da guerra. Johnston acrescentou que, se o Estreito de Hormuz permanecer fechado por mais um mês, os preços da gasolina podem ultrapassar os máximos históricos da era Biden.
Perspectivas de Longo Prazo para o Setor de Energia
Especialistas do setor petrolífero concordam que os preços de energia anteriores à guerra não devem retornar em breve, a menos que ocorra um colapso econômico. O JPMorgan prevê que, mesmo após a reabertura do Estreito de Hormuz, o preço médio do Brent será de US$ 104 por barril no terceiro trimestre e de US$ 98 no quarto trimestre deste ano.
Kevin Book, da ClearView Energy Partners, destacou que, após um acordo, o estreito pode ser desminado e a produção de petróleo retomada, mas a recuperação total das instalações danificadas e dos estoques em declínio pode levar muitos meses ou até anos.
Ele enfatizou que não se espera um retorno à média de US$ 60 por barril de petróleo tão cedo, pois o fluxo de oferta levará tempo para se normalizar.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



