Mercado de Mandioca no Brasil em 2026: Desafios e Crescimento em Meio a Mudanças Estruturais
O mercado de mandioca no Brasil em 2026 passa por transformações, com aumento na produção e desafios climáticos. Descubra como isso impacta os preços!
Mercado de Mandioca no Brasil em 2026
O setor de mandioca no Brasil passa por uma reorganização em 2026, com aumento na produção, recuperação parcial de estoques e preços que continuam a ser influenciados pela relação entre safra e demanda industrial. Dados do Cepea/Esalq e estimativas do setor indicam que a cadeia é fortemente afetada por fatores climáticos, logísticos e estruturais, especialmente pela dificuldade de armazenar a raiz in natura por longos períodos.
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O Cepea observa que o comportamento recente do mercado reflete essa limitação estrutural.
“A mandioca é um mercado altamente dependente da safra, pois não há capacidade de estocagem da raiz fresca. Isso faz com que a oferta varie ao longo do ano e pressione os preços em determinados momentos”, destaca o centro de pesquisas.
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Produção e Distribuição Regional
A produção nacional de mandioca está concentrada em polos industriais do Centro-Sul, com São Paulo, Mato Grosso e Paraná respondendo por cerca de 30% da produção total do Brasil. Quase 100% desse volume é destinado ao mercado industrial, especialmente para a produção de fécula.
O restante da produção é mais disperso nas regiões Norte e Nordeste, onde é amplamente utilizado para consumo alimentar, como na fabricação de farinha e farofa.
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De acordo com Aleksandro Siqueira, diretor de uma empresa do setor, essa diferença regional é crucial para o funcionamento da cadeia. “São Paulo, Mato Grosso e Paraná são regiões totalmente industriais. Tudo o que é produzido ali vai para fecularia.
Já no Norte e Nordeste, a mandioca é muito mais voltada para consumo alimentar”, afirma.
Desafios e Crescimento do Setor
Nos últimos anos, o setor de mandioca registrou uma expansão significativa em alguns segmentos produtivos. O mercado aponta um aumento de aproximadamente 28% na produção em determinados ciclos recentes, acompanhado por um crescimento de estoques de cerca de 11%, especialmente nas regiões industriais, onde a cadeia é mais organizada e há maior capacidade de processamento.
Em três anos, a produção industrial avançou de cerca de 350 mil toneladas para aproximadamente 410 mil toneladas, refletindo ganhos de produtividade e ampliação de áreas em polos específicos.
Entretanto, o crescimento não é linear e varia conforme o clima, os preços e as decisões de plantio. O Cepea ressalta que o Brasil possui uma base produtiva ampla e perene, com ciclos que podem levar até dois anos até a colheita da mandioca. Essa característica, aliada à perecibilidade da raiz, torna o mercado altamente sensível ao calendário agrícola.
Comportamento de Preços e Perspectivas Futuras
Conforme o Cepea, “os preços da mandioca destinada à indústria permanecem voláteis, influenciados diretamente pelo ritmo de colheita e pela demanda das fecularias, com variações regionais significativas entre os principais estados produtores”.
Estados como Paraná e Mato Grosso do Sul costumam apresentar cotações mais altas devido à forte presença industrial e à maior concorrência pela matéria-prima.
Estabilidade e Industrialização
A recomposição parcial dos estoques, estimada em cerca de 11% em determinados períodos, trouxe um certo alívio para a indústria. No entanto, o Cepea acredita que esse movimento ainda não é suficiente para eliminar completamente a volatilidade do setor. “Percebemos um mercado mais ajustado, mas ainda muito dependente da oferta pontual.
Qualquer variação climática ou de produtividade impacta diretamente a indústria”, aponta o Cepea.
Apesar dos desafios, o setor mantém uma perspectiva de estabilidade com leve crescimento, sustentado pela industrialização e pela ampliação de usos da mandioca em segmentos como fécula, amidos modificados e aplicações industriais. Para Aleksandro Siqueira, o movimento de industrialização é o principal fator de sustentação da cadeia. “A mandioca deixou de ser apenas um alimento tradicional e passou a ser uma matéria-prima industrial estratégica”, conclui.