Mercado de fertilizantes apresenta tendências distintas em agosto, aponta consultoria Biond
A Biond Agro alerta que a correção nos preços da ureia pode ocorrer com a nova cota chinesa.
O mercado de fertilizantes no Brasil fechou agosto com tendências distintas entre os principais nutrientes utilizados nas lavouras. Enquanto a ureia e o sulfato de amônio apresentaram alta nas últimas semanas, os fertilizantes fosfatados tiveram queda e o cloreto de potássio manteve – se mais estável.
A consultoria Biond Agro destaca que os produtores devem avaliar cuidadosamente o momento da compra de cada insumo e o volume necessário para a próxima safra.
A ureia se destacou nesse período, acumulando uma valorização de aproximadamente US 80 a US 90 por tonelada em julho, chegando ao mercado brasileiro entre US480 e US 500 por tonelada em agosto. A demanda da Índia e as restrições de oferta no Oriente Médio foram fatores que sustentaram esses preços.
Entretanto, uma possível correção pode ocorrer em breve com a abertura de uma nova cota chinesa de exportação.
Expectativas para o mercado
Isabella Pliego, analista da Biond Agro, afirma que “a nova cota chinesa pode trazer correção no curto prazo, especialmente se o país participar com volume relevante da compra indiana”. Ela ressalta que a entrada de ureia e nitrato está abaixo do ano passado e que a demanda por milho deve crescer no último trimestre.
No entanto, as compras externas brasileiras de ureia estavam cerca de 30% inferiores ao mesmo período em 2025. Já as aquisições do nitrato de amônio apresentaram queda de 33%. Para a consultoria, um aumento nas compras destinadas ao milho pode ajudar a reduzir a folga do mercado nos próximos meses.
Movimento dos fertilizantes fosfatados e potássicos
O cenário foi diferente para os fosfatados. O MAP recuou para um preço entre US850 e US 870 por tonelada CFR Brasil, enquanto TSP e superfosfato simples também registraram quedas. A maior disponibilidade desse tipo de produto no país, junto à proximidade do plantio da soja, contribuiu para essa acomodação dos preços.
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Ainda assim, a Biond Agro recomenda cautela. A oferta de enxofre permanece limitada e a janela para entrega dos fertilizantes destinados à soja está perto do fim. Por isso, é aconselhável que os produtores não contem com uma queda significativa antes das próximas compras.
Isabella sugere: “A compra parcial permite aproveitar a acomodação sem assumir que todo o movimento de baixa já terminou”.
Status das compras no Brasil
Até o final de julho, mais de 80% das aquisições para a soja na safra 2026/27 já haviam sido realizadas no Brasil. Mato Grosso lidera com 95% das compras concluídas, seguido por Paraná (92%) e Goiás (90%). Em contrapartida, estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo ainda possuem uma parcela maior das aquisições pendentes.
O cloreto de potássio apresentou um comportamento mais previsível, mantendo preços entre US385 e US 400 por tonelada CFR Brasil. Com aproximadamente 95% das compras destinadas à soja já concretizadas, o foco agora se volta para as necessidades do milho safrinha em 2027.
Até julho, apenas 35% das aquisições para essa cultura haviam sido feitas, indicando uma demanda significativa nos próximos meses.
Conselhos para os produtores
A Biond Agro adverte que não existe uma estratégia única aplicável a todos os nutrientes no atual cenário. Os produtores devem avaliar com cuidado as compras de nitrogênio, avançar parcialmente nas aquisições de fósforo e potássio e monitorar as condições do enxofre conforme as fontes utilizadas em cada lavoura.
Com o início do plantio da soja se aproximando e a formação da demanda por fertilizantes para o milho safrinha começando, decisões importantes devem ser tomadas neste segundo semestre. Além dos preços, os produtores precisam considerar a disponibilidade dos produtos e os prazos de entrega na hora de determinar os custos da próxima safra.