Medicamentos GLP-1 revolucionam tratamento, mas alto custo impede acesso de 72% dos pacientes

Medicamentos GLP-1 e seu impacto na saúde
Os medicamentos da classe GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras“, têm se destacado como uma das mais significativas inovações recentes na área da saúde. Eles têm influenciado positivamente o tratamento do diabetes tipo 2, da obesidade e de doenças cardiometabólicas.
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No entanto, apesar dos benefícios clínicos reconhecidos, o alto custo ainda impede que muitos pacientes brasileiros tenham acesso contínuo a esses tratamentos.
Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Ifepec, a pedido da Febrafar, com 1.067 médicos de diversas especialidades e regiões do Brasil, revelou essa realidade. O levantamento, realizado em maio de 2026, é um dos maiores já feitos no país sobre a percepção médica em relação aos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1.
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Os dados indicam que o preço atual torna o tratamento acessível apenas a 28% dos pacientes que poderiam se beneficiar dessas terapias.
Além disso, 65% dos pacientes acabam abandonando o tratamento ou não conseguem seguir as orientações médicas devido a limitações financeiras. Os médicos acreditam que uma redução de cerca de 35% nos preços poderia aumentar a viabilidade do tratamento para aproximadamente 45% dos pacientes, ampliando assim o acesso a essas terapias.
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Desafios financeiros e aceitação médica
De acordo com Edison Tamascia, presidente da Febrafar, os resultados da pesquisa mostram que o principal desafio para a expansão dessa classe de medicamentos não está na aceitação médica, mas na capacidade financeira da população. “Os médicos reconhecem os benefícios dos medicamentos GLP-1 e observam resultados significativos na saúde dos pacientes.
O grande obstáculo atualmente é o custo do tratamento”, afirma Tamascia.
A Febrafar, que representa 74 redes associativistas e mais de 19 mil farmácias em todo o Brasil, destaca a importância de ampliar o acesso a esses medicamentos. A pesquisa também revelou que, em média, 7% dos pacientes relataram já ter utilizado medicamentos GLP-1 sem prescrição médica antes da primeira consulta, o que acende um alerta sobre a comercialização irregular desses produtos.
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Importância do acompanhamento profissional
O uso inadequado de medicamentos pode colocar a saúde dos pacientes em risco, reforçando a necessidade de combater canais clandestinos de venda. Tamascia ressalta que as farmácias legalmente estabelecidas seguem rigorosamente a legislação e desempenham um papel fundamental na promoção do uso responsável dos medicamentos. “O combate à comercialização irregular é essencial para proteger a saúde da população”, afirma.
Além de garantir o cumprimento das normas sanitárias, os farmacêuticos têm uma função estratégica na orientação dos pacientes sobre o uso correto, armazenamento e a importância do acompanhamento médico durante todo o tratamento.
Expectativas em relação a biossimilares e similares
A pesquisa também destacou a expectativa elevada dos médicos em relação à chegada de biossimilares, genéricos e similares de GLP-1, impulsionada pelo vencimento de patentes e pela possibilidade de aumento da concorrência no setor. A maioria dos profissionais pretende incorporar essas novas opções à prática clínica, desde que apresentem comprovação de qualidade, segurança e eficácia.
Tamascia acredita que a ampliação da oferta de medicamentos tende a ser um marco para o mercado farmacêutico brasileiro. “A expectativa é que isso contribua para aumentar a concorrência e reduzir gradualmente os preços atualmente praticados”, afirma.
Embora os medicamentos genéricos ainda não estejam previstos para o curto prazo, o aumento da oferta deve favorecer o acesso e melhorar os índices de adesão ao tratamento.
Benefícios dos medicamentos GLP-1
Os médicos entrevistados ressaltaram que os benefícios dos medicamentos GLP-1 vão além da perda de peso. Entre os principais ganhos estão o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, a redução da compulsão alimentar, a significativa perda de peso e a proteção cardiovascular, renal e hepática.
Também foram observadas melhorias em comorbidades associadas à obesidade, como apneia do sono, dores articulares e hipertensão.
Os efeitos colaterais mais frequentemente relatados incluem náuseas, constipação, vômitos, diarreia, azia, dores de cabeça, fadiga e tontura, além de, em alguns casos, perda de massa muscular e alterações estéticas devido à rápida perda de peso.
Perspectivas para o mercado de GLP-1
Para a Febrafar, os resultados indicam que o mercado brasileiro de medicamentos GLP-1 ainda possui um grande potencial de crescimento. No entanto, essa expansão sustentável dependerá da combinação entre acesso econômico, orientação profissional e uso responsável. “A pesquisa mostra que há um ambiente favorável para o crescimento dessa categoria no Brasil, mas esse avanço deve ocorrer com responsabilidade e foco na segurança do paciente”, conclui Tamascia.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



