Master investe R70 milhões em nova fábrica para expandir atuação no setor escolar

Master expande atuação escolar com R70 milhões em nova fábrica, impulsionando produção e atendendo demanda nacional e internacional.

Sérgio Janikian, CEO do Master

O Master Material Escolar acaba de inaugurar seu novo complexo industrial na cidade de Jundiaí (SP), marcando um investimento próprio estimado em R 70 milhões para fortalecer sua operação.

A empresa é fornecedora líder no setor pedagógico brasileiro: fatura cerca de R 800 milhões anuais com portfólio que inclui aproximadamente 400 produtos — desde canetas até borrachas —, atendendo uma base estimada de seis milhões de estudantes do país.

Estruturando o crescimento e a produção

Instalada numa área total de uns 60 mil metros quadrados, parte da nova unidade possui mais de 33 mil m² construídos.

O complexo foi desenhado como um polo integrado onde acontecem as funções essenciais:

Lá se concentram os processos produtivos, áreas robustas para armazenagem dos materiais, montagens específicas de kits pedagógicos completos e toda a logística necessária à distribuição em larga escala.

O negócio começou oficialmente em 2009 apenas distribuindo artigos escolares.

Com o aumento das vendas até passar pela fase da fabricação própria, ele encontrou uma avenida natural — mas desafiadora – junto ao setor governamental. Foi essa via pública que permitiu crescimento significativo para um segmento dominado por grandes marcas como Tilibra e Faber – Castell; a empresa se estabeleceu hoje como principal fornecedora de materiais pedagógicos públicos nacionais Segundo Sérgio Janikian, ex – diretor do Corinthians e empresário responsável pelo Master, foi assim que conseguiram ganhar espaço sem precisar enfrentar diretamente as gigantes tradicionais nas prateleiras dos varejistas convencionais no início

Os contratos com órgãos estatais trouxeram também o benefício da previsibilidade comercial:

Essa infraestrutura integrada permite que Master atenda tanto às demandas internas no mercado brasileiro quanto aos clientes internacionais do exterior com eficiência máxima na operação comercial. A trajetória: Do público ao privado

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“Uma vez dentro de uma rede de ensino, é possível construir relações comerciais capazes de atravessar os quatro anos completos de um mandato político”, explica ele.”

Desafios na diversificação internacional

No entanto, a forte dependência das vendas públicas acabou gerando problemas operacionais; após escândalos como a Lava – Jato, toda operação do setor foi bastante criticada e “estigmatizada”. Janikian relatou que isso fez com que “o mercado se fechasse para empresas ativas em parcerias governamentais”.

A partir de 2017, o Master começou uma busca ativa por espaço no âmbito privado. Contudo, essa tentativa esbarrou constantemente nos próprios contratos públicos já estabelecidos: conforme ele afirmou, cada passo dado na esfera privada era seguido pelo governo dando dois passos adicionais.

O foco migra ao exterior. Com os laços burocráticos apertando as operações internas e dificultando a diversificação completa do negócio nacionalmente, Janikian direcionou esforços para mercados externos como rota alternativa. Inicialmente foi destino a Argentina; após um bom desempenho nessa operação inicial em países vizinhos, avançaram sobre outras geografias importantes da América Latina.

Recentemente houve negociações com Staples, grande rede de material de escritório dos Estados Unidos. A empresa fechara contrato no valor de US 7,5 milhões pelo fornecimento específico de cadernos Master. Contudo, o recente aumento das tarifas americanas inviabilizou os termos acordados inicialmente, deixando este importante acordo “em compasso de espera”.

Visão futura e mercado global

“Tenho certeza que vamos crescer muito mais no setor privado”, afirma Janikian ao comentar a situação do negócio internacionalmente. Para ele, aumentar faturamento nunca foi apenas um objetivo; “Desde o começo eu aprendi que crescimento significa depender cada vez menos das limitações impostas por qualquer tipo de mercado”.

Ele prefere investir para resolver gargalos da cadeia em vez de se limitar.

Potencial futuro: aquisições estratégicas Até agora todo esse desenvolvimento só é possível porque os recursos vieram exclusivamente dos próprios cofres e caixa Master. Mas essa realidade deve mudar logo. O empresário prevê uma onda significativa no setor através de grandes fusões ou “aquisições

Um dia vai acontecer, fatalmente”, diz Janikian ao prever o movimento do capital externo na área. Ele aponta que a concorrência atual inclui muitas empresas familiares sem um plano claro para sucessão geracional; isso abre janelas importantes em oportunidades futuras de consolidação

O tamanho da papelaria mundial

Em termos mais amplos, o mercado é gigantesco: segundo estimativas feitas pela GfK Retail and Technology, apenas os artigos papéis movimentaram cerca de R 49,3 bilhões no Brasil durante todo ano de 2025. Esse valor representa uma alta acumulada impressionante de quase 43,7% ao longo dos últimos quatro anos.

Essa elevação não veio só pelo aumento do volume vendido na ponta varejista, mas também por produtos premium e a personalização que elevaram significativamente gastos em categorias antes ligadas somente à rotina escolar.

No âmbito global, as projeções são ainda maiores; acordo com dados da Mordor Intelligence, o mercado mundial de suprimentos para papelaria atingiu US152,4 bilhões já em 2025 e deve alcançar os US 205,6 bilhões até lá no ano de 2031. Isso representa uma expansão média anual ligeiramente superior aos cinco percentuais.”