Massacre da Chácara São Bento: Arquivo Secreto Revela Detalhes Chocantes

Massacre da Chácara São Bento: Revelações de um Arquivo Secreto
Em 8 de janeiro de 1973, o Centro de Informações do Exército (CIE) concluiu uma das suas ações mais sombrias. Militares ligados ao principal órgão de repressão da ditadura militar invadiram um sítio em Abreu e Lima, na região metropolitana do Recife, e assassinaram cinco integrantes do comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização que lutava contra o regime militar.
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Esse evento, conhecido como o massacre da Chácara São Bento, foi o ponto final de um plano da ditadura para eliminar a iniciativa da VPR de retomar a guerrilha, e uma resposta direta à descoberta do agente duplo José Anselmo dos Santos, o “cabo Anselmo”.
A documentação, agora trazida à luz pelo projeto “Bandidos de Farda”, do ICL Notícias, revela detalhes cruciais sobre o planejamento e a execução dessa operação. Os arquivos do coronel Cyro Etchegoyen, chefe de contrainformação do CIE, expõem um quadro de gastos e ações que se estenderam por quase três anos, de dezembro de 1969 a junho de 1974.
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A contabilidade meticulosa, que totalizou pelo menos 615 salários mínimos em valores da época – o equivalente a aproximadamente R$ 1 milhão em 2026 – detalha os custos de operações clandestinas, incluindo a infiltração de agentes duplos.
A investigação do ICL Notícias cruzou as datas dos pagamentos registrados pelo coronel Etchegoyen com informações da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, revelando que essas ações militares resultaram em pelo menos outras 29 mortes cometidas por agentes do CIE durante o período mais violento da repressão política.
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A operação, codificada como Operação Kymball, envolveu um esforço coordenado de diversas unidades militares, incluindo o Dops de São Paulo e o DOI do IV Exército, do Recife.
Entre os documentos encontrados, destaca-se o caso do “cabo Anselmo”, um agente duplo que foi infiltrado na VPR. Os registros indicam que a operação para resgatá-lo e, consequentemente, eliminar os militantes da VPR, consumiu mais de 172 salários mínimos, um valor que se traduziu em R$ 279,3 mil em valores de 2026.
A ação que culminou no massacre da Chácara São Bento representou uma parcela significativa desse investimento.
A complexidade da operação se revela em detalhes como a “Casa da Morte”, em Petrópolis, um aparelho clandestino onde, segundo as anotações de Cyro Etchegoyen, pode ter sido assassinado uma dezena de pessoas. A sobrevivente daquele local foi a militante Inês Etienne Romeu, que denunciou os crimes cometidos por militares e identificou alguns dos torturadores, incluindo o “dr.
Bruno”, codinome de Cyro Etchegoyen. A tentativa de transformá-la em uma agente dupla, documentada nos registros, demonstra a sofisticação das operações do CIE.
A contabilidade do coronel Etchegoyen também revela detalhes sobre a rotina da “Casa da Morte”, incluindo o pagamento de 100 cruzeiros a Maristela, um codinome utilizado para Inês Etienne Romeu, em agosto de 1971, na tentativa frustrada de transformá-la em uma agente dupla.
A investigação do ICL Notícias continua a desvendar os segredos de um arquivo que, por décadas, permaneceu oculto, revelando a brutalidade e a complexidade da repressão política durante a ditadura militar.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



