Marrocos investe em dessalinização para garantir água potável; como será a nova usina?

Marrocos aposta em dessalinização para enfrentar a escassez hídrica. Descubra como a nova usina transformará o acesso à água potável no país

14/06/2026 14:07

5 min

Marrocos investe em dessalinização para garantir água potável; como será a nova usina?
(Imagem de reprodução da internet).

A Dessalinização como Solução para a Escassez de Água em Marrocos

Com o mundo enfrentando uma crescente “escassez de água” e a necessidade de se adaptar a um futuro mais quente e seco, tanto cidades quanto fazendas estão cada vez mais voltadas para a dessalinização — o processo de transformação da água do mar em água potável.

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Em 2024, existiam mais de 22.000 usinas de dessalinização em funcionamento globalmente, a maioria localizada no Oriente Médio e no Norte da África, regiões que enfrentam a maior escassez hídrica do planeta. Um número crescente de países africanos está investindo nessa tecnologia, e até 2030, Marrocos planeja obter 60% de sua água potável do oceano.

Em janeiro, Marrocos anunciou o fim de uma seca que durou sete anos, após um inverno com chuvas intensas que reabasteceram reservatórios em níveis historicamente baixos. No entanto, essa melhora não alterou a estratégia de longo prazo do país. Nizar Baraka, ministro de Equipamentos e Água de Marrocos, afirmou que depender apenas da chuva e da capacidade das barragens já não é suficiente.

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Ele destacou que a seca se tornou uma transformação estrutural do ciclo climático.

O Grande Projeto de Dessalinização

O plano de Marrocos envolve a dessalinização da água do Atlântico para consumo e irrigação nas cidades costeiras, enquanto a água das barragens e da chuva será direcionada para áreas rurais mais vulneráveis à seca. Essa iniciativa é liderada por um projeto de 650 milhões de dólares em construção a cerca de 40 quilômetros ao sul de Casablanca, que se tornará a maior usina de dessalinização da África e, segundo os desenvolvedores, a maior do mundo movida inteiramente por energias renováveis.

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A Fase I do projeto deve entrar em operação em fevereiro de 2027, com a Fase II prevista para agosto de 2028.

Quando estiver em plena capacidade, a usina fornecerá 79 bilhões de galões de água potável por ano para 7,5 milhões de pessoas na região de Casablanca e irrigará 20.000 acres de terras agrícolas. Atualmente, Marrocos já opera 17 usinas de dessalinização, produzindo cerca de 108 bilhões de galões de água anualmente, um aumento significativo em relação a 2021, e outras 11 usinas estão em planejamento ou construção.

Financiamento e Impacto Ambiental

Para viabilizar esses megaprojetos, Marrocos adotou parcerias público-privadas (PPPs). O financiamento para o projeto de Casablanca foi concluído em maio de 2025, com a Acciona, uma multinacional espanhola especializada em energias renováveis, como principal desenvolvedora.

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O governo espanhol também contribuiu com mais da metade do custo. Este projeto faz parte de um plano nacional de recursos hídricos de aproximadamente 14 bilhões de dólares, que inclui a reutilização de águas residuais e a construção de uma rede de dutos para transportar água excedente das bacias hidrográficas do norte para regiões mais secas.

A maioria das usinas de dessalinização utiliza o processo de osmose reversa, que consome muita energia e, frequentemente, depende de combustíveis fósseis, contribuindo para a emissão de carbono. O plano de Marrocos é integrar novas usinas de dessalinização com energias renováveis, visando reduzir custos operacionais e minimizar a pegada de carbono.

Em 2024, as energias renováveis representaram pouco mais de um quarto da eletricidade do país.

Desafios para a Agricultura

O setor agrícola de Marrocos consome 87% da água disponível e emprega quase um terço da população. A seca prolongada reduziu pela metade a produção de cereais e aumentou o desemprego nas áreas rurais. A dessalinização é vista como uma solução para irrigar campos em regiões afetadas pela falta de chuvas, mas seu custo ainda é elevado.

Em Souss-Massa, a usina de dessalinização de Chtouka Aït Baha atende 1.500 agricultores, permitindo que cultivem tomates e frutas para exportação.

Embora a dessalinização tenha ajudado alguns agricultores a aumentar sua produção, o acesso à água dessalinizada ainda é um desafio. Youssef Brouziyne, do Instituto Internacional de Gestão da Água, observou que a dessalinização é de 1,5 a 4 vezes mais cara do que fontes tradicionais de água doce.

Para pequenos agricultores, o acesso dependerá de subsídios e da combinação de água dessalinizada com fontes mais baratas.

Cooperação e Futuro da Dessalinização na África

Em dezembro de 2025, Marrocos sediou o Congresso Mundial da Água em Marrakech, onde Baraka destacou a importância de abordar a segurança hídrica, energética e alimentar de forma integrada. Ele enfatizou que o objetivo não é apresentar um modelo único, mas compartilhar experiências e soluções adaptáveis às necessidades de cada país.

A dessalinização está se expandindo na África, com países como Argélia e Egito aumentando suas capacidades, enquanto a Namíbia e a África do Sul já operam usinas menores movidas a energia solar.

Com 95% das terras agrícolas da África dependendo da chuva, a irrigação por dessalinização pode ser uma solução viável em áreas com escassez hídrica. À medida que os custos da dessalinização diminuem, a tecnologia poderá beneficiar mais fazendas africanas.

Brouziyne argumenta que as nações africanas devem compartilhar conhecimento e tecnologia, e que a segurança hídrica a longo prazo envolve não apenas a produção de água, mas também a criação de resiliência e equidade no acesso a esse recurso.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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