Marcelo D 2 é obrigado a incluir Geovana nos créditos de álbum após decisão do TJ-RJ
Marcelo D 2 deve incluir Geovana nos créditos de seu álbum após decisão do TJ-RJ, destacando a importância do reconhecimento na tradição do samba.
O músico Marcelo D 2, de 58 anos, recebeu uma ordem liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que determina a inclusão do nome da sambista Geovana na composição de seu último álbum. O desembargador Jean Albert de Souza Saadi decidiu que o rapper e a gravadora Universal Music Brasil devem creditar a artista na regravação da faixa “Tataruê”, que faz parte do disco “Manual Prático do Novo Samba Tradicional, Vol. 3”.
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A disputa judicial começou em maio de 2026, quando Geovana, junto ao coletivo musical Coletivo Sindicato do Samba, processou Marcelo D 2 por violação de direitos autorais. A sambista afirma que sua obra foi utilizada sem consulta e sem o devido reconhecimento de sua autoria.
Créditos e questões culturais
Além da questão dos créditos, o caso envolve uma discussão mais ampla sobre o respeito à tradição do samba e outras problemáticas relacionadas ao uso comercial da canção. “Tataruê” é uma das principais composições de Geovana, que também é conhecida por músicas como “Irene”, em parceria com Beto sem Braço, e “Amor dos Outros”.
Após um longo período fora dos holofotes, ela retornou à cena musical nos anos 2010 com o apoio do Coletivo Sindicato do Samba.
O primeiro álbum de Geovana foi lançado em 1975 e incluía a canção que agora é objeto de disputa. Em nota divulgada pelo Coletivo Sindicato do Samba, a entidade enfatiza que a música traz referências à ancestralidade negra da artista, à sua religiosidade de matriz africana e à história familiar, mencionando até seus filhos na letra.
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O coletivo argumenta que a versão gravada por Marcelo D 2 mantém elementos da gravação original, mas carece dos créditos adequados. Para eles, essa questão vai além da simples apropriação dos direitos autorais; trata – se de um debate sobre negritude, etarismo e respeito às tradições musicais.
A importância da valorização dos mestres do samba
No comunicado, o Coletivo Sindicato do Samba ressalta a necessidade de valorizar os mestres do samba enquanto estão vivos. Essa valorização é fundamental para preservar as tradições que sustentam o gênero musical.
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Com essa decisão judicial, espera – se que haja um reconhecimento maior não apenas da obra de Geovana, mas também da rica cultura samba que ela representa. A luta pela preservação dos direitos autorais se entrelaça com um apelo por respeito à história e às contribuições dos artistas negros na música brasileira.