
Movimentos populares realizaram um ato em frente à Assembleia Legislativa (Alerj), no centro da cidade, reivindicando o voto popular. A mobilização protestou contra a tentativa de golpe na Alerj, que havia alçado o deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, para um mandato tampão na semana anterior.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Os manifestantes exibiam cartazes com a mensagem clara: “Alerj não é urna! Quem escolhe o governo é o povo”. No mesmo dia, a Justiça do Rio anulou a votação que havia sido convocada de maneira apressada por aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL).
Keila Machado, diretora da CUT-Rio, avaliou que o protesto envia uma mensagem crucial. Ela ressaltou que, apesar de vários temas importantes, o foco foi apenas em um “golpe relâmpago” para colocar Douglas Ruas (PL) no poder por um breve período.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
“Eleição direta será fundamental para que a população possa, de fato, escolher seu governador. Não podemos deixar passar em branco a tentativa de golpe da Assembleia”, declarou Machado.
Para Elenice Ramos, diretora da CUT, o voto popular na sucessão governamental é visto como essencial para legitimar as eleições de outubro. O mandato tampão, por sua vez, tem validade até 31 de dezembro.
“Tendo diretas agora, mesmo que por um período curto, mais adiante poderemos ter uma eleição mais justa, onde o povo enxergue a realidade do nosso país. Lutamos por respeito às comunidades e por acesso à saúde, educação e moradia digna”, defendeu Ramos.
O ato foi organizado pelas centrais sindicais CUT, CTB e Intersindical, além dos movimentos Brasil Brasil e Povo Sem Medo, contando com a presença de parlamentares de esquerda. O MTST distribuiu mais de 500 quentinhas durante a manifestação.
Desde a renúncia de Cláudio Castro (PL), na véspera de sua cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comando do estado ficou sob a responsabilidade de Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico em sua campanha de 2022.
Suelen Sousa, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), lembrou que os recursos destinados à água e saneamento foram desviados para a campanha de Cláudio Castro. Ela afirmou que o povo deve decidir como o Rio de Janeiro deve ser governado.
O deputado estadual Flávio Serafini (Psol) criticou veementemente a eleição indireta, argumentando que ela não pode ser conduzida por estruturas de poder criadas nos esquemas do governador Cláudio Castro. Ele apontou o desvio de verbas e a influência de grupos investigados por fraudes.
O estado encontra-se sem vice-governador desde maio de 2025, após Thiago Pampolha deixar o cargo para ser conselheiro do TCE. Outra autoridade na linha sucessória também teve seu mandato cassado na Alerj, em decorrência da contratação irregular de mais de 27 mil pessoas.
Serafini reforçou o desejo por eleições diretas, declarando que o julgamento do TSE foi apenas o começo de um processo que Castro terá que enfrentar judicialmente. “Queremos democracia, para que o povo possa decidir. Diretas já no Rio de Janeiro!”, concluiu.
A deputada estadual Dani Monteiro (Psol) classificou a tentativa do grupo político de Castro de se manter no poder como um “Estado desmoralizado”. Ela enfatizou que o processo eleitoral é uma chance de diálogo com a população sobre um novo projeto de Estado.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!