Mais de 40 mil pessoas precisam de ajuda humanitária no Nepal, diz ONU

Enchentes e deslizamentos já afetaram mais de 84 mil pessoas, dificultam o acesso a comunidades isoladas e ampliam o risco de desnutrição infantil.

04/09/2026 08:40

3 min

Soldados do exército nepalês trabalham durante uma operação de busca e resgate nos arredores de um túnel próximo aos locais do Projeto Hidrelétrico no distrito de Rasuwa, Nepal, nesta imagem divulgada em 2 de setembro
Soldados do exército nepalês trabalham durante uma operação de b...

Dois homens foram resgatados com vida nesta sexta – feira (4) de um túnel da Usina Hidrelétrica Trishuli 3A, no Nepal. A operação, porém, ainda ocorre em meio a uma crise humanitária provocada por enchentes e deslizamentos de terra, que deixaram milhares de pessoas deslocadas e destruíram milhares de casas.

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O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas estima que cerca de 43 mil pessoas no Nepal— aproximadamente 10 mil famílias — necessitem de ajuda humanitária imediata. O cálculo considera informações das autoridades nepalesas de gestão de desastres.

Enchentes deixaram mais de 84 mil pessoas afetadas

As estimativas do governo apontam que mais de 84 mil pessoas foram atingidas pelas enchentes e pelos deslizamentos de terra. Muitas comunidades estão em regiões de difícil acesso, o que complica a chegada de equipes e suprimentos.

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O PMA informou que enviou especialistas em logística para apoiar organizações humanitárias parceiras na entrada em áreas isoladas. Em uma atualização divulgada nesta sexta – feira (4), o programa afirmou que o desastre “deslocou comunidades, destruiu meios de subsistência e interrompeu o acesso a serviços essenciais”.

A agência também alertou para o risco de piora dos problemas nutricionais no país. Antes mesmo das enchentes, o Nepal já registrava índices elevados de desnutrição, baixo peso e anemia infantil. Uma em cada quatro crianças do país era afetada por atraso no crescimento, segundo o PMA.

A interrupção dos mercados, a perda das fontes de renda e a dificuldade de acesso a alimentos variados e nutritivos podem ampliar esses riscos, afirmou o programa de alimentação da ONU. A avaliação foi divulgada enquanto as equipes ainda tentavam localizar pessoas desaparecidas na usina.

Buscas na Usina Hidrelétrica Trishuli 3A

O corpo de Binod Pandey foi encontrado em um túnel da Usina Hidrelétrica Trishuli 3A poucas horas depois do resgate de dois trabalhadores vivos. A informação foi divulgada pela Autoridade de Eletricidade do Nepal.

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Suresh Raut, vice – gerente da Autoridade de Eletricidade do Nepal, acompanhou a localização do corpo. Ele disse que uma equipe formada por 11 pessoas, entre elas parentes dos desaparecidos, foi mobilizada para procurar vítimas nas proximidades.

Raut afirmou que, depois dessa etapa, as buscas e o resgate em Trishuli 3A serão encerrados. Para ele, existe “pouca possibilidade de encontrar outras pessoas desaparecidas nesse túnel”.

Nove dias depois do desastre, o resgate de um trabalhador de um túnel de uma usina hidrelétrica nas profundezas do Himalaia nepalês trouxe esperança às equipes. Ainda assim, o Exército do Nepal acredita que outras 40 pessoas continuem dentro do túnel da usina hidrelétrica Trishuli 3A, sem que se saiba em que condições estão.

Os socorristas utilizam detectores de diferentes tipos, equipamentos térmicos, câmeras de longo alcance, veículos operados remotamente e drones. O major – general Anup Jung Thapa, chefe de operações militares, afirmou à CNN na quinta – feira (3) que um dos túneis tem um canal de drenagem cuja profundidade chega a cerca de 26 metros.

Trabalhadores ouvidos pela CNN na semana passada contaram que avançaram no escuro quando a enchente atingiu a região. Eles relataram ter visto colegas serem levados pela correnteza enquanto tentavam alcançar a superfície, localizada a mais de 200 metros.

A fuga durou seis horas.

A área é extremamente remota e tem conectividade limitada, fatores que tornam a operação ainda mais difícil. Durante esta sexta – feira (4), helicópteros pousaram e decolaram repetidamente no quartel de Trishuli. Do lado de fora, dezenas de fotos de pessoas desaparecidas foram colocadas nas paredes, mostrando a dimensão da busca que continua no Nepal.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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