Mais de 300 mil jovens assassinados no Brasil: dados alarmantes do Atlas da Violência 2026
Mais de 300 mil jovens foram assassinados no Brasil na última década. Atlas da Violência 2026 revela dados alarmantes sobre a juventude e a violência.
Mais de 300 mil jovens assassinados no Brasil na última década
Mais de 300 mil jovens foram mortos no Brasil nos últimos dez anos. O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), revela que entre 2014 e 2024, o país registrou 301.825 homicídios de pessoas com idades entre 15 e 29 anos, o que representa uma média de 75 mortes diárias.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Apesar da diminuição nos índices de violência letal nos últimos anos, a juventude continua sendo uma das principais vítimas.
Em 2024, 19.801 jovens perderam suas vidas devido a homicídios, resultando em uma taxa de 42,2 mortes por 100 mil habitantes. Os dados indicam que os jovens corresponderam a 46,5% de todas as vítimas de homicídio registradas em 2024, o que significa que quase uma em cada duas vítimas no país era composta por pessoas entre 15 e 29 anos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Considerando a metodologia de homicídios estimados, que busca compensar falhas na identificação de mortes violentas, a taxa sobe para 46,1 homicídios por 100 mil jovens.
Homens concentram quase todas as mortes
O perfil das vítimas continua a ser predominantemente masculino. Em 2024, dos jovens assassinados, 18.545 eram homens, representando a grande maioria dos casos. Isso significa que, dos 54 jovens mortos diariamente em 2024, 51 eram do sexo masculino. A taxa de homicídios entre homens jovens atingiu 78 mortes por 100 mil habitantes, quase o dobro do índice geral da juventude.
Leia também
Além disso, homens negros representam 79% das vítimas de homicídios, conforme dados recentes.
Desigualdade na redução da violência entre os estados
Embora o panorama nacional indique uma diminuição da violência letal contra jovens em comparação com uma década atrás, os indicadores mostram comportamentos desiguais entre os estados. Entre 2014 e 2024, o Atlas aponta quedas significativas nas taxas de homicídio de jovens no Distrito Federal (-79,6%), Goiás (-67,8%) e São Paulo (-58%).
Por outro lado, estados como Amapá (+45,2%), Pernambuco (+7,5%) e Bahia (+6,4%) apresentaram aumentos.
Em 2024, o estado com a menor taxa de homicídios de jovens foi o Distrito Federal, com 10,7 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a Bahia registrou a maior taxa, com 114,7 por 100 mil, um índice mais de dez vezes superior ao de São Paulo.
Impactos da violência na juventude
O Atlas da Violência 2026 destaca que a violência contra jovens não se limita à perda imediata de vidas, mas também gera impactos sociais e econômicos duradouros, afetando uma fase crucial de formação educacional, inserção profissional e desenvolvimento do potencial produtivo.
Este estudo marca uma década de colaboração entre o Ipea e o FBSP no monitoramento da letalidade no Brasil, utilizando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
Apesar dos índices oficiais indicarem uma queda histórica na violência letal, a pesquisa revela um aumento preocupante na subnotificação dos homicídios.