Madame Satã não pode ser responsabilizada por festa de Daniel Vorcaro, diz advogado

Uma festa organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em 2023, na boate Madame Underground Club, em São Paulo, virou alvo de investigação e levantou dúvidas sobre a responsabilidade do estabelecimento. O caso ganhou repercussão na noite da última quinta – feira (10), após a revista Piauí publicar uma reportagem detalhando o evento, que teria ocorrido no dia 31 de outubro daquele ano.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
De acordo com a publicação, a festa foi organizada pelo ex – ministro Fábio Faria (PP) e pelo promoter Tiago Polo. A revista afirma que algumas autoridades, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, teriam participado do evento. Procurado pela Piauí, Pacheco negou qualquer presença na ocasião.
Responsabilidade jurídica da boate
Diante das suspeitas, a CNN Brasil ouviu o advogado Dr. Glauber Bez, especialista em direito civil e criminal, para esclarecer se a Madame Satã poderia ser responsabilizada. Na avaliação do jurista, a casa noturna não tem qualquer responsabilidade civil ou criminal sobre os fatos investigados.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Bez explica que a boate firmou um contrato de locação comercial padrão com uma produtora terceirizada. Dessa forma, o estabelecimento não manteve relação direta com os envolvidos na organização do evento. “A responsabilidade pessoal não pode ser transferida ao locador pelas ações independentes de um locatário ou de seus convidados”, argumenta o advogado.
Ele ainda destaca que a transação foi realizada a preço de mercado e ocorreu muito antes de qualquer alegação se tornar pública. Para o especialista, isso comprova que o clube agiu de boa – fé ao alugar o espaço.
História da Madame Satã
A Madame Underground Club, conhecida como Madame Satã, é um símbolo da cultura underground paulistana. Desde a década de 1980, a casa reúne as mais diversas tribos da cena alternativa da cidade de São Paulo, sempre no bairro do Bixiga, na região central da capital.
O nome do local é uma homenagem à Madame Satã, figura emblemática da boemia carioca e símbolo da vida noturna do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. O auge da boate foi nos anos 1980, quando surgiu na onda do new wave e, ao mesmo tempo, abraçava outros gêneros, funcionando como uma espécie de discoteca.
Leia também
Nomes gigantes da cultura paulistana passaram por lá, como Rita Lee, Marisa Orth, João Gordo e Kid Vinil. Bandas como RPM, Titãs, Ira! e Legião Urbana também fizeram alguns de seus primeiros shows no Madame Satã.
Após um longo período fechada, a casa noturna reabriu em 2012, adotando apenas o nome de Madame. Desde então, se tornou patrimônio histórico da cidade de São Paulo. Atualmente, a boate conta com uma hamburgueria e um espaço para shows com capacidade para 350 pessoas.
O local voltou a ocupar uma posição relevante na cena underground, recebendo eventos de música gótica, pós – punk, dark wave e EBM.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



