Lula Enfatiza Necessidade de Apoio Financeiro e Pressão Externa na Demarcação de Terras Indígenas
Em uma cerimônia no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (27 de novembro de 2024), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a simples demarcação de terras indígenas não é suficiente. Ele ressaltou a importância de garantir condições financeiras aos povos originários, destacando que, muitas vezes, a demarcação não garante a sobrevivência dessas comunidades, que enfrentam pressões externas significativas. “Não basta o Estado demarcar uma terra indígena quando existem um milhão de outros Estados para que a gente demarque uma terra indígena de 90 mil hectares”, afirmou, enfatizando a complexidade do processo.
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Novas Instituições e a Busca por Apoio no Congresso
Durante o evento, Lula anunciou a criação da Universidade Federal Indígena (Unind) e da Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), ambas com sede em Brasília e previsão de início das atividades em 2027. O presidente reconheceu a dependência do Congresso Nacional para a aprovação dessas instituições, pedindo apoio aos senadores e deputados. “Vamos pedir muita ajuda dos nossos senadores e deputados para a gente poder aprovar o mais rápido possível”, disse, alertando para possíveis emendas parlamentares, que devem ser focadas em melhorias.
Desafios e a Relação com o Legislativo
A aprovação das universidades depende da colaboração do Congresso, em um momento de tensão entre o governo Lula e o Legislativo, devido a divergências sobre o pacote fiscal, indicações para o Supremo Tribunal Federal e outras questões econômicas.
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O presidente pediu que as lideranças indígenas e esportivas intensifiquem seus esforços para convencer os parlamentares a aprovar as leis. “Vocês vão ter que ir para dentro do Congresso, conversar com líderes, conversar com os partidos e convencer as pessoas de que eles estarão fazendo bem aprovando essa lei”, declarou.
Acompanhamento e Desafios Legais
O Supremo Tribunal Federal (STF) analisará a constitucionalidade da lei 14.701 de 2023, que restabeleceu o marco temporal para demarcação de terras indígenas, a partir de 5 de dezembro. O julgamento será realizado no plenário virtual até 15 de dezembro.
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O marco temporal limita o direito dos indígenas a terras que estavam em sua posse em 1988 ou em disputa judicial na época, o que gerou críticas e contestação por parte de organizações indígenas. O STF já havia rejeitado a tese do marco temporal em setembro de 2023, mas o Congresso retomou a proposta e o veto de Lula foi derrubado.
Conclusão: Um Caminho Complexo e Necessário de Apoio
A situação demonstra a complexidade do processo de demarcação de terras indígenas, que envolve não apenas questões legais, mas também a necessidade de apoio financeiro e a superação de pressões externas. O governo Lula busca, por meio da criação de novas instituições e da aprovação de leis, garantir os direitos dos povos originários, mas enfrenta desafios significativos no Congresso Nacional.
