Lula e Trump discutem minerais raros após venda bilionária de terras-raras!

Negociação Estratégica de Terras Raras: Uma Análise Detalhada
A recente venda da mineradora de terras-raras, sediada em Minaçu (GO), para a USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, em abril de 2026, tem gerado debates acalorados. O governo e aliados têm argumentado que o Brasil “entregou” uma empresa estratégica ao capital norte-americano, mas a realidade da transação é mais complexa.
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A verdade é que a mineradora nunca foi propriedade do Brasil. O governo federal esteve ciente e participou ativamente do processo, optando por intervir em momentos cruciais. A exploração de minerais críticos em solo brasileiro será um ponto central na reunião entre o presidente Lula e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca nesta quinta-feira (7 de maio de 2026).
A Postura Protecionista do Governo
O presidente Lula tem adotado uma postura protecionista em relação aos minerais raros, defendendo que o Brasil deve aproveitar suas reservas para impulsionar a indústria nacional. Em uma visita à Índia em fevereiro, Lula declarou: “Nós não queremos apenas exportar matéria-prima.
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Queremos produzir aqui e gerar emprego aqui”. Essa visão reflete o desejo de fortalecer a economia brasileira e reduzir a dependência de outros países na produção e no comércio desses recursos.
A Complexidade da Transação
A operação de venda da Serra Verde, constituída em 2010 com capital estrangeiro (Boston, Houston e Reino Unido), representou uma troca de controle entre grupos internacionais, e não a venda de uma empresa brasileira. O BNDES aprovou empréstimos para apoiar o empreendimento em 2025, durante o governo Lula.
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A mudança de capital estrangeiro ocorreu apenas em abril de 2026, de uma estrutura euro-americana para outra americana.
A Inação do Governo Brasileiro
O que se destaca é a inação do governo brasileiro ao longo dos anos em regular o uso e a exportação de terras-raras. Essa inércia se repetiu em diferentes administrações, desde o governo Lula 2 até o governo Bolsonaro, sem que medidas efetivas fossem implementadas.
A primeira oportunidade foi durante o governo Lula 2, com a concessão de lavra sem condicionantes, que durou 14 anos, com a exportação quase exclusiva para a Shenghe Resources (China).
Oportunidades Perdidas de Intervenção
A segunda oportunidade surgiu em agosto de 2025, com a aprovação de um empréstimo da DFC (US Development Finance Corporation) à Serra Verde. A mineradora encerrou unilateralmente os contratos com a China, mas o governo federal não interveio. A terceira chance se apresentou em 1º de abril de 2026, quando o Financial Times revelou que o empréstimo da DFC continha cláusulas determinando o destino comercial do minério, com controles para garantir que os metais fossem para os Estados Unidos e países aliados.
Competências e Responsabilidades
É importante ressaltar que o subsolo é da União, conforme determina o artigo 20, inciso 9 da Constituição Federal. A concessão de lavra é de competência federal, assim como a transferência de titularidade e a análise de capital estrangeiro em ativo estratégico.
Os estados têm a responsabilidade de realizar licenciamento ambiental, enquanto o governo federal possui a competência para intervir em todas essas questões.
Conclusão
A negociação envolvendo a Serra Verde e a USA Rare Earth expõe a complexidade da gestão dos recursos minerais no Brasil. Apesar das críticas e dos alertas, o governo brasileiro não soube aproveitar as oportunidades de regular o setor e proteger os interesses nacionais.
A situação atual exige uma revisão das políticas e estratégias para garantir que o Brasil possa se beneficiar plenamente de seu potencial mineral.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



