Lula derrota Flávio Bolsonaro e interrompe onda de governos de direita na América do Sul

Com Congresso mais à direita, Lula terá de governar a partir de 2027 diante de uma Câmara com 286 deputados do bloco pró-Flávio e 124 da coligação governista.

3 min

O presidente Lula (PT) após ser reeleito, em São Paulo, 25 de outubro de 202625 de outubro de 2026 REUTERS/Amanda Perobelli
O presidente Lula (PT) após ser reeleito, em São Paulo, 25 de ou...
▼

Lula (PT) derrotou Flávio (PL) no domingo (25) e impediu o retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto. A vitória interrompe uma sequência de governos de direita e centro-direita que vinha se espalhando pela América do Sul.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nos últimos dois anos, a direita avançou na região ao mesmo tempo em que Donald Trump voltou a ser eleito presidente dos Estados Unidos. Daniel Noboa foi reeleito no Equador, e Abelardo de la Espriella, José Antonio Kast e Rodrigo Paz assumiram os governos de Colômbia, Chile e Bolívia.

No Peru, Keiko recolocou a família Fujimori no poder. Brasil, Canadá e México, as três maiores economias das Américas depois dos EUA, continuam sob governos de esquerda.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Relação com Washington ganha novo equilíbrio

Para o diretor da Eurasia Group para as Américas, Christopher Garman, o resultado leva o relacionamento entre Brasília e Washington a um terreno mais arriscado, embora os americanos tenham freios próprios. Ele lembrou que empresas dos EUA têm grande volume de investimentos diretos no Brasil e, por isso, defendem seus interesses também dentro do governo americano.

“O Brasil detém um estoque significante de investimenos diretos de empresas americanas – e essas empresas também representam seus interesses econômicos em Washington”, afirmou Garman ao WW. Ele também citou as terras raras brasileiras, que os Estados Unidos querem para diminuir a dependência da China. “Os Estados Unidos não podem brincar com fogo”, disse.

Lula terá Congresso mais à direita

O maior desafio, porém, está no Congresso. Lula terá de governar com uma Câmara mais conservadora do que a que enfrentou nos últimos quatro anos. O bloco de partidos de direita e centro-direita que apoiou Flávio no segundo turno soma 286 deputados eleitos para o período de 2027 a 2030.

Já a coligação que reelegeu Lula elegeu 124 deputados, número que não chega a um terço do Plenário. Os partidos que ficaram neutros ou se dividiram, como MDB e PSD, somam 103 cadeiras. Mesmo que o presidente conquistasse todos esses parlamentares, que vão do Solidariedade de Paulinho da Força ao Missão de Renan Santos, ainda ficaria abaixo de 50% da Câmara, que tem 257 deputados.

Leia também

Por isso, uma maioria qualificada depende de atrair deputados de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.

“O custo político de governabilidade será muito alto. Lula entra em uma situação parecida, ou até pior, do que a Dilma [Rousseff, do PT] em seu segundo mandato”, afirmou o cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, ao WW.

Senado também tem maioria da oposição

No Senado, o cenário é parecido. Dos 81 parlamentares que devem compor a Casa a partir de 2027, 50 apoiaram Flávio desde o início da campanha ou, pelo menos, no segundo turno contra Lula. Esse número fica quatro senadores acima do necessário para aprovar em definitivo o impeachment de um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

As emendas constitucionais, por sua vez, precisam de 49 votos. O bloco progressista deve ter 26 senadores, um a menos que o mínimo para pedir a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Cinco senadores ficaram neutros no segundo turno, e somados ao bloco progressista chegam a 31.

Isso significa 10 a menos que os 41 necessários para eleger o presidente do Senado.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!