Lula defende apoio a Wagner; não há provas ligando-o ao Banco Master em investigação

Lula reafirma defesa política com ressalvas diante investigações envolvendo aliados e Banco Master.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA) durante agenda oficial em 2022; aliado histórico, o parlamentar foi líder do governo no Senado no 1º ano deste mandato | Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto – 03.nov.2022

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta – feira, dia 27 de agosto de 2026, que não há provas concretas sobre qualquer relação entre o senador PT – BA e as atividades do Banco Master.

A declaração foi feita durante uma sabatina na TV Globo em resposta a questionamentos detalhados acerca dos laços políticos com Wagner Reis Filho, mesmo diante das apurações realizadas pela Polícia Federal (PF) quanto ao recebimento de propina para favorecer os interesses fundadores do banco.

O ex – banqueiro Daniel Vorcaro também está ligado à investigação no Senado baiano.

Lula defende apoio político baseado na presunção de inocência

Em conversa televisiva, Lula enfatizou que não pode basear sua atuação política apenas em “ilações”, ou seja, suposições sem comprovação legal. Ele esclareceu ainda o contexto da relação mencionada: a ligação era com Augusto Lima quando este figurava antes dos envolvimentos diretos com Banco Master.

O presidente reforçou seu posicionamento sobre manter um aliado mesmo sob suspeita e declarou aos telespectadores ser impossível conduzir uma carreira pública vivendo exclusivamente por boatos diários. Segundo ele, as pessoas são consideradas inocentes até prova do contrário; essa foi a defesa feita ao questionamentos feitos pelo Poder360 na ocasião.

Origem das apurações no setor bancário baiano

As investigações que envolvem o Credcesta — negócio posteriormente ligado à instituição financeira Daniel Vorcaro (Banco Master) – remontam a decisões tomadas em 2018. Na época, decretos foram assinados e ampliaram significativamente os mecanismos de operação para cartões consignado, permitindo oferecer crédito aos servidores públicos da Bahia.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator responsável pelo inquérito sobre fraudes na entidade, já havia tornado público um relatório apontando conexões entre Wagner Reis Filho e ex – sócios como Augusto Lima no âmbito das apurações.

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A análise completa dos desvios financeiros está sob o escopo “Compliance Zero”, autorizada inicialmente pela décima Vara Federal em novembro de 2025. Esta fase inicial prendeu provisoriamente executivos ligados à instituição liquidada por este Banco Central brasileiro.

Cronograma judicial: da primeira prisão às buscas mais recentes

O caso ganhou tração significativa quando passou a tramitar diretamente na esfera do STF, após ser levado ao ministro Dias Toffoli e passar pelo comando relatorial até dezembro de 2025. A operação teve várias fases distintas que culminaram no bloqueio bilionário dos fundos fraudulentos utilizados para maquiar os caixas Master em ações como as realizadas pela PF nos dias 14 de janeiro de 2026.

Os valores sequestrados superaram R 5,7 bilhões.

As investigações avançaram com o cumprimento de mandados nas diferentes regiões: entre março (data da terceira fase) houve apreensões contra um homem ligado diretamente aos interesses do fundador; já na semana seguinte a isso ocorreu uma prisão mais ampla e outra busca por parte das autoridades federais.

Ações recentes no STF. Em abril de 2026 foi realizada ainda uma ação que prendeu ex – presidente do BRB sob suspeita de permitir operações sem lastro envolvendo Master. O ministro André Mendonça, em sua função como relator principal perito para o caso, apontou inclusive que “a relação entre o político [Wagner] e o ex – banqueiro ‘extrapola a amizade'”, resultando num bloqueio preliminar de R 18,85 milhões.

As ações continuaram até maio: foram cumpridos mandados preventivos na Bahia (7º fase) e mais buscas no Rio Grande do Sul Rio de Janeiro com foco nas atividades da Rioprevidência.

Acompanhamento das investigações contra figuras políticas

O senador PT – BA foi alvo em operações realizadas nos dias 9 de julho de 2026. A defesa conseguiu sucesso parcial ao solicitar o STF para anular a ação judicial que havia sido movida inicialmente por ele mesmo naquele ano, momento em que Wagner Reis Filho chegou a ser afastado temporariamente como líder governamental no Senado até dia 24 de junho.

Mais recentemente, os investigadores voltaram seus esforços na esfera jornalística e empresarial: foram realizados mandados buscando apurar um esquema complexo de monitoramento direcionado especificamente aos repórteres críticos ou contrários aos interesses do ex – banqueiro Vorcaro.

Declaração dos envolvidos sobre o processo

Em contraste com as investigações judiciais contínuas, há declarações públicas. Em uma entrevista à Rádio Baiana FM em 31 de julho de 2026, Wagner Reis Filho expressou sua confiança no desfecho das acusações ligadas ao Banco Master e afirmou estar focado nas eleições que ocorrerão nos próximos meses.

Por outro lado, Lula manteve a defesa da relação política do senador enquanto não houver condenação definitiva por parte judicial.