Lula afirma que Brasil pode se tornar líder global em biocombustíveis durante coletiva em Hannover

Brasil como Líder em Biocombustíveis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira (20) que o Brasil tem potencial para se tornar um líder global em biocombustíveis. A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa em Hannover, após sua participação na Feira Industrial de Hannover 2026.
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Lula destacou que essa ambição se baseia na trajetória histórica do país, que, apesar de ser um grande produtor e exportador de petróleo, já investiu em alternativas sustentáveis como o Pró-Álcool na década de 1970 e o biodiesel no início do século XXI.
Segundo o presidente, essa experiência coloca o Brasil em uma posição privilegiada para liderar a oferta global de combustíveis renováveis. “Os combustíveis renováveis são uma questão de soberania nacional. Um país que é autossuficiente em petróleo ousou criar o Pró-Álcool e depois o biocombustível, obtendo sucesso”, afirmou Lula.
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Ele acredita que o Brasil pode se tornar uma espécie de Arábia Saudita dos biocombustíveis.
Resultados de Testes com Biocombustíveis
Na mesma coletiva, Lula mencionou um teste realizado em Hannover, que demonstrou que o biodiesel brasileiro, utilizado em um caminhão alemão, resultou em uma redução de até 90% nas emissões de CO₂. O experimento foi conduzido por um especialista alemão que avalia a emissão de gases de efeito estufa. “O teste foi feito em um caminhão alemão, em uma estrada alemã, para desmistificar preconceitos sobre o combustível renovável produzido no Brasil”, explicou o presidente.
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Ele ressaltou que o biodiesel brasileiro emite significativamente menos CO₂ em comparação ao combustível fóssil. A métrica utilizada no teste, conhecida como “da roda ao eixo”, mede as emissões durante o trajeto do veículo. Lula enfatizou que o objetivo era demonstrar a eficiência do combustível brasileiro e combater resistências ao uso de fontes renováveis no transporte.
Defesa dos Biocombustíveis na Transição Energética
O chanceler alemão Friedrich Merz, que acompanhou Lula na coletiva, defendeu os biocombustíveis como parte essencial da transição energética. Ele destacou que o Brasil possui uma grande capacidade de produção de biodiesel e álcool, que podem ser utilizados no dia a dia.
Merz argumentou que não se deve descartar tecnologias que serão relevantes no futuro, considerando a grande quantidade de veículos a combustão ainda em circulação.
Lula também aproveitou a oportunidade para ressaltar o papel do Brasil na transição energética global. Atualmente, o país mistura 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel, além de já ter caminhões operando com 100% de biodiesel. Ele mencionou que cerca de 89% da matriz elétrica brasileira é renovável, um percentual superior aos 40% prometidos pela União Europeia até 2050.
Potencial de Expansão e Acordos Bilaterais
O presidente destacou que o Brasil possui 40 milhões de hectares de terras degradadas disponíveis para reconversão produtiva, o que permitiria expandir a oferta de biocombustíveis sem pressionar áreas agrícolas ou florestais. Lula também mencionou que o desmatamento na Amazônia caiu 50% em seu governo, em um período de dois anos e oito meses.
A visita à Alemanha incluiu a defesa da implementação do acordo Mercosul-União Europeia, previsto para entrar em vigor em 1º de maio, além do anúncio de acordos bilaterais nas áreas de defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura e bioeconomia.
O fluxo comercial entre Brasil e Alemanha alcançou US$ 21 bilhões no ano passado, com um estoque de investimento direto alemão no Brasil superior a US$ 40 bilhões.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



