Luke e Mike Bell: A Incrível Jornada para Criar um Drone Solar Eficiente

Desafio Solar: A Jornada de Luke e Mike Bell
Após estabelecer quatro recordes de velocidade no Guinness com seus drones Peregreen, os sul-africanos Luke Bell e seu pai, Mike, embarcaram em um novo projeto: desenvolver uma aeronave que possa voar por longas horas utilizando apenas a luz solar, sem depender de baterias tradicionais.
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Com uma paixão por mecatrônica, eles compreendiam que a principal regra para asas rotativas, como drones e helicópteros, é que o peso é o maior inimigo da eficiência. Por isso, decidiram evitar as hélices pequenas, comuns na maioria dos drones, que giram rapidamente e consomem muita energia.
No canal de YouTube de Luke Maximo Bell, o jovem engenheiro detalha a construção de um chassi em formato de X, feito com tubos finos de fibra de carbono e hélices grandes de 47 centímetros. Essa combinação resultou em uma eficiência tão impressionante que o drone conseguiu voar com apenas 70 watts, equivalente ao consumo de uma lâmpada incandescente antiga.
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A primeira versão do sistema de energia utilizava 27 painéis solares extremamente finos e frágeis, dos quais alguns se quebraram durante os testes, e um deles não resistiu nem mesmo ao gato da família. Conectados em série, os painéis geravam cerca de 150 watts em condições de sol forte.
Desafios e Inovações na Construção do Drone
Após realizar ajustes no chassi e no software, o momento decisivo chegou. O drone, operando em acoplamento direto com os painéis solares — sem baterias ou controladores —, decolou com sucesso, utilizando 150 watts. No entanto, o voo de três minutos foi interrompido por uma rajada de vento, revelando a fragilidade da primeira versão: sem uma reserva de energia, o drone não conseguiu se manter no ar.
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Retornando à prancheta, os Bell enfrentaram o que muitos considerariam uma missão impossível: reforçar a estrutura enquanto diminuíam o peso total.
Como engenheiros experientes, eles sabiam que a solução estava na geometria, não na quantidade de material. No protótipo inicial, a estrutura que sustentava os painéis solares era considerada “frouxa”, fazendo com que os painéis ficassem mal posicionados.
Para melhorar, começaram a remover elementos pesados, como plásticos excessivos e fios soltos, substituindo-os por uma arquitetura mais eficiente. Utilizando o software de modelagem 3D Onshape, a dupla criou suportes de poliuretano termoplástico (TPU), que podiam se deformar e retornar à forma original.
Essa redução de peso, juntamente com a eliminação de metal e a utilização de fios de cobre mais curtos, resultou em uma economia de cerca de 70 gramas.
O Futuro do Drone Solar
A diminuição do peso levou a uma redução de 4 watts na energia exigida pelos motores, o que, embora pareça insignificante em comparação aos 1.500 watts de um secador de cabelo, representou uma diminuição de 6% no consumo total de energia do drone.
A solução mais controversa, porém decisiva, foi a adição de um circuito com diodos e uma pequena bateria auxiliar, que atua como um nobreak para o computador de voo, evitando quedas inesperadas quando o sol desaparece temporariamente.
A versão final do drone alcançou 28 painéis e mais de 110 watts em plena luz solar, o que era suficiente para carregar a bateria auxiliar em céu aberto. Luke, ciente de que “o vento é sempre um grande problema para um dispositivo com tão baixa carga alar”, já está trabalhando na V3 de seu drone recordista. É importante notar que manter um drone de hélices no ar consome muito mais energia do que um avião de asa fixa.
O Airbus Zephyr S, atual recordista de autonomia com 64 dias consecutivos, é tecnicamente um drone solar com asas.
Assim como Dédalo e Ícaro, Mike e Luke acreditam no sonho do voo indefinido. Eles consideram a possibilidade de transformar o drone em um eVTOL — uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical — onde o painel solar funcionaria como asa e gerador de energia simultaneamente.
Apesar de não seguir os rigorosos padrões científicos de grandes laboratórios, o feito dos Bell demonstra que a inovação pode surgir até mesmo em uma garagem. Com uma impressora 3D, painéis frágeis e um gato atrapalhando, o drone solar evidencia que a “tecnologia de quintal” pode abrir caminhos ainda inexplorados pela indústria.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



