Luis Caputo afirma que Argentina honrará pagamentos da dívida até 2027 com empréstimos

O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, declarou nesta segunda – feira (6) que o governo planeja honrar os pagamentos da dívida até 2027. Para isso, a estratégia envolve empréstimos multilaterais, privatizações e a emissão de títulos locais, evitando por enquanto o retorno aos mercados internacionais.
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Durante uma coletiva de imprensa, Caputo enfatizou a intenção de refinanciar a dívida existente com as taxas mais baixas possíveis e deixou claro que não há uma meta específica de rendimento antes de voltar a acessar os mercados de capitais globais. “Se tivermos opções mais baratas, naturalmente continuaremos com essa opção”, afirmou o ministro.
Desafios financeiros até 2027
A Argentina se prepara para um teste significativo de sua dívida em moeda estrangeira em 2027, ano em que o presidente Javier Milei buscará a reeleição. O país enfrenta mais de US 23 bilhões em pagamentos de principal vencendo nesse período, totalizando mais de US 32 bilhões incluindo juros, conforme dados do Fundo Monetário Internacional.
Os investidores estão atentos à possibilidade de Milei enfrentar dificuldades para manter um aperto fiscal, o que poderia impactar negativamente o peso argentino e desestabilizar os mercados financeiros. Até agora, o presidente tem adotado uma postura fiscal restritiva, contribuindo para a redução da inflação mensal de 25,5% em dezembro de 2023 para 2,1% em maio deste ano.
A administração tem utilizado títulos locais atrelados ao dólar, operações de recompra e financiamento multilateral como estratégias para aumentar as reservas em moeda estrangeira.
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Críticas e apoio à indústria local
Caputo também se defendeu das críticas que afirmam que o governo prejudicou a indústria nacional ao facilitar importações. O ministro argumentou que administrações anteriores protegeram setores ineficientes ao invés de incentivar sua competitividade.
Ele destacou que o foco atual é apoiar a indústria local através da redução de impostos e melhorias na infraestrutura.
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Ele ainda mencionou que os influxos de dólares devem vir do regime de incentivos a grandes investimentos conhecido como RIGI, atraindo interesse em setores como mineração e energia. Privatizações, como a da rede ferroviária, também são parte da estratégia do governo.
Objetivos futuros e popularidade do governo
Alcançar o status de grau de investimento é uma prioridade declarada por Caputo, mesmo com a dívida soberana da Argentina permanecendo no território especulativo. Recentes reclassificações pela SP e Fitch não mudaram essa realidade.
Critérios econômicos implementados por Milei têm gerado críticas devido ao impacto dos cortes nos subsídios e medidas austeras sobre os consumidores. A queda no poder aquisitivo e escândalos relacionados à corrupção têm afetado sua popularidade.
Contudo, Caputo garantiu que não há planos para mudar essa abordagem: “Vamos continuar nessa linha de reduzir riscos e não nos afastar da ortodoxia fiscal e monetária”, concluiu ele.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



