Líderes NATO debatem futuro de aliança com EUA em Ancara
Líderes NATO buscam fortalecer laços com EUA diante de tensões geopolíticas e desafios econômicos na Europa.
A cúpula da OTAN em Ancara reuniu líderes militares e políticos nesta terça e quarta – feira para debater o futuro de uma aliança que se encontra, segundo analistas presentes no evento, paradoxalmente mais forte e também mais frágil do que há um ano e meio.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O cenário é marcado por pressões americanas significativas: a própria defesa dos EUA gastou cerca de 139 bilhões de dólares a mais somente nos orçamentos de defesas em 202na comparação com os valores registrados em 202
A cúpula da OTAN em Ancara debate futuro de aliança
Impacto econômico no continente europeu. No âmbito financeiro do bloco, o aumento geral nos investimentos militares está gerando efeitos distintos nas economias da União Europeia (UE). Segundo dados levantados pelo European Defence Agency, espera – se que este impulso eleve total gastos de defesa dos vinte e sete países membros para aproximadamente 2,1% do Produto Interno Bruto em 20Contudo, esse crescimento orçamentário pressiona as finanças públicas daqueles estados com dívida elevada.
Os analistas apontam também os riscos adicionais: contribuição potencial para inflação moderada via demanda agregada e encarecimento das importações equipamentos estratégicos, o que afeta diretamente a balança comercial europeia como um todo.
A disparidade no ritmo é notável entre os aliados; enquanto Alemanha, nações nórdicas e bálticas têm investido pesadamente nos setores de defesa, França e Reino Unido ainda não encontraram uma rota viável para atingir meta estabelecida em 3,5% do PIB dedicado à área militar.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essa dificuldade tende justamente a reduzir seu peso político dentro da aliança globalmente reconhecida.
Questionamentos sobre compromissos americanos. O principal ponto discutido nas cúpulas envolve o crescente questionamento dos europeus quanto ao real apoio americano caso um aliado fosse atacado. A incerteza aumenta porque parte das lideranças americanas parece desconsiderar a Rússia como ameaça e até mesmo colocar em xeque os valores que historicamente uniram todo o bloco de defesa transatlântico.
Leia também
Essa dúvida não é exclusiva do continente vizinho; no outro lado do Atlântico, uma pesquisa divulgada pelo site Politico revelou dados preocupantes: apenas 51% dos cidadãos nos EUA acreditam na garantia de socorro da OTAN se fossem alvo de ataque externo.
O secretário de Defesa estadunidense, Pete Hegseth, já chegou a alertar sobre possíveis retenções nas contribuições financeiras americanas para as estruturas globais.
Ele sugeriu até mesmo reorganizar toda presença militar americana em Europa com base quanto cada país gasta individualmente e não conforme sua necessidade estratégica.
Protagonismos regionais no cenário global. Em Ancara, o anfitrião turco Recep Tayyip Erdogan deve usar seu protagonismo diplomático visando fortalecer ainda mais a indústria nacional de defesa do Turquemenia (Turquia). Além disso, ele busca pressionar os aliados por maior acesso ao programa avançado desenvolvido pelo caça F – A aliança também precisa confirmar apoio financeiro à Ucrânia.
A OTAN deverá garantir cerca de 70 bilhões de euros para este ano — valor que será majoritariamente financiado pelos países europeus.