Kevin Warsh afirma que manterá independência do Fed diante de pressões de Donald Trump

Kevin Warsh reafirma a importância da independência do Fed, destacando que sua prioridade é evitar a politicagem em meio a pressões externas.

14/07/2026 18:07

4 min

Kevin Warsh em cerimônia de posse como próximo chair do Fed
Kevin Warsh em cerimônia de posse como próximo chair do Fed

O presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, Kevin Warsh, afirmou nesta terça – feira (14) que “fará seu trabalho” caso enfrente desafios vindos do presidente Donald Trump. Este é o comentário mais incisivo de Warsh sobre como lidaria com a pressão exercida por seu antecessor durante seu mandato.

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Em audiência na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, ele foi questionado sobre sua reação a possíveis ataques de Trump ao banco central, que já incluem tentativas de demitir a diretora Lisa Cook.

Warsh ressaltou que a Suprema Corte dos EUA reafirmou recentemente a independência do Fed em relação à política monetária. Se for alvo de ataques pessoais, prometeu: “eu continuaria a fazer meu trabalho”. Ele explicou que, fora do ambiente do Federal Reserve, há muita política, mas sua prioridade dentro da instituição é evitar a politicagem. “Na medida em que houver política lá, vamos nos livrar dela”, disse.

Independência do Fed e metas inflacionárias

O presidente do Fed enfatizou que a independência da instituição é “sagrada”. Isso ocorreu em resposta às perguntas sobre sua disposição de definir a política monetária com base em dados objetivos, mesmo diante das pressões para reduzir os juros. “A credibilidade é reforçada quando somos — e somos percebidos como — independentes”, afirmou Warsh.

A relação entre Warsh e Trump teve destaque durante o primeiro dia de depoimento no Congresso esta semana. Os democratas expressaram preocupações sobre sua capacidade de manter uma verdadeira independência após o processo de seleção em que Trump indicou apenas candidatos de sua confiança.

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A inflação nos EUA está acima da meta estabelecida pelo Fed e as incertezas em torno de um novo conflito no Oriente Médio podem impactar ainda mais a economia.

Dados divulgados nesta terça mostraram uma desaceleração maior do que o esperado na inflação ao consumidor, que caiu para 3,5% em junho devido à redução nos preços da energia. Apesar disso, Warsh não se deixou levar por otimismo precipitado sobre esses números e declarou: “Essa não é minha visão”.

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Expectativas para a taxa de juros

As expectativas dos operadores quanto à taxa de juros mostram apenas 12% de chance de um aumento na reunião do Fed marcada para os dias 28 e 29 de julho. No entanto, essa probabilidade aumentou para 53% na reunião programada para 15 e 16 de setembro.

No decorrer de seu depoimento, Warsh reiterou que sua principal prioridade é trazer a inflação de volta à meta. Essa meta será bem recebida por seus colegas no banco central, mas pode frustrar as esperanças constantes de Trump por taxas mais baixas.

Warsh também se distanciou da influência direta de Trump ao formar suas novas forças – tarefa com especialistas renomados. Essas nomeações foram vistas como um movimento para garantir uma abordagem neutra nas discussões econômicas relevantes. Jon Faust, ex – assessor sênior no Fed e professor na Universidade Johns Hopkins, comentou que as escolhas feitas por Warsh consolidam essa visão.

Desafios futuros e posicionamento político

A postura atual de Warsh sugere um afastamento das pressões políticas externas. Porém, desafios à sua posição podem surgir caso a inflação continue elevada ou se o apoio por aumentos nas taxas crescer dentro do conselho do Fed. A situação poderá ser complicada ainda mais se houver novas tentativas do governo Trump para demitir membros nomeados pelos democratas.

Ainda assim, Warsh parece estar levando as orientações presidenciais a sério. Loretta Mester, ex – presidente do Fed em Cleveland, destacou que até agora tudo tem corrido bem e avaliou positivamente as novas forças – tarefa criadas no banco central.

Com isso, o futuro da política monetária sob a liderança de Kevin Warsh dependerá não só da economia americana mas também da dinâmica política com o presidente Trump nos próximos meses.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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