Justiça marca júri popular de Marcola para maio de 2027, 21 anos após homicídios de PM em SP

O júri popular de Marcola, agendado para 2027, reabre o debate sobre os Crimes de Maio e suas consequências na segurança pública de São Paulo.

O líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola

A Justiça de São Paulo agendou o júri popular de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, para os dias 11, 12 e 13 de maio de 2027. O líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) é acusado dos homicídios consumado e tentado de policiais militares em Jundiaí, ocorridos em 12 de maio de 2006.

Esse episódio marca 20 anos dos Crimes de Maio, um dos momentos mais sombrios da segurança pública no estado. A ofensiva, que teria sido orquestrada pelo PCC, resultou na morte de 564 pessoas e deixou outras 110 feridas em apenas nove dias.

Os Crimes de Maio

Em resposta à transferência de Marcola e outros líderes da facção para a penitenciária de Presidente Venceslau, no interior paulista, o PCC deu início a um “salve geral” no dia 12 de maio, véspera do Dia das Mães. Essa ordem foi disseminada por mensagens via celular dentro das prisões e desencadeou rebeliões simultâneas em 74 estabelecimentos prisionais do estado.

Relatórios investigativos, incluindo estudos realizados pela Universidade de Harvard, apontam que a escalada da violência foi também provocada por extorsões feitas por policiais civis contra a facção. Um dos casos mais emblemáticos foi o sequestro do enteado de Marcola por investigadores em Suzano, na Grande São Paulo, que exigiam R 300 mil como resgate.

Nas ruas, a facção iniciou uma série de ataques direcionados a bases policiais, viaturas e delegacias. A situação se agravou com incêndios em ônibus e interrupções no transporte público, levando o estado ao colapso.

Consequências da Violência

A repressão das forças de segurança teve um custo alto: em pouco mais de uma semana, 564 pessoas perderam a vida — entre elas estavam 59 agentes públicos e 505 civis. O cenário era caótico nas periferias das cidades afetadas.

No dia 14 de maio daquele ano, após intensas negociações entre representantes do governo paulista e Marcola, os ataques e as rebeliões cessaram gradualmente. A decisão marcou um momento crucial na história recente da segurança pública paulista.

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Expectativas para o Júri Popular

O julgamento marcado para maio de 2027 traz à tona as memórias desse período turbulento na segurança pública do Brasil. Com as acusações graves sobre os ombros do líder do PCC, espera – se que o processo traga novos desdobramentos sobre as ações da facção criminosa nos últimos anos.

As autoridades seguem atentas aos possíveis impactos desse julgamento na dinâmica atual entre facções criminosas e forças policiais no estado.