Julgamento de acusados pela morte de Vinícius Gritzbach é cancelado após tensões no Fórum

O cancelamento do julgamento reflete a complexidade do caso, envolvendo questões de segurança e a gravidade das acusações contra os réus

Vinicius Gritzbach, empresário e delator do PCC assassinado no Aeroporto de Guarulhos

O primeiro dia do Tribunal do Júri que julga os acusados pela morte de Vinícius Gritzbach, empresário que seria delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), e do motorista de aplicativo Celso Novais, foi encerrado com o julgamento cancelado no Fórum de Guarulhos nesta segunda-feira, 22 de janeiro de 2026.

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Após mais de dez horas de sessão, a situação se tornou tensa, levando à suspensão dos trabalhos. O clima já estava conturbado antes da interrupção, com troca de acusações entre os advogados dos policiais militares réus e a promotoria.

Contexto do Julgamento

Celso Novais, que também foi vítima da ação armada que tinha Gritzbach como alvo, estava representado por sua família durante o julgamento. Os parentes viajaram de Brasília até São Paulo para acompanhar as audiências. A execução ocorreu em novembro de 2024, no Portão 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, um dos locais mais movimentados do país.

Um extenso esquema de segurança foi implementado para garantir a ordem durante o julgamento, considerado um dos homicídios mais impactantes da história recente do estado. As acusações recaem sobre Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues, apontados como os atiradores, além de Fernando Genauro da Silva, que teria sido o motorista do veículo utilizado na execução.

Durante a audiência, surgiram questionamentos sobre a geolocalização dos réus e a suposta falta de evidências concretas apresentadas pela perícia.

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Tensões no Tribunal

A tensão começou a aumentar durante o depoimento do perito convocado pela defesa, quando a banca jurídica e o promotor Rodrigo Merli Antunes tiveram seus primeiros desentendimentos. Durante a análise de um laudo pericial apresentado pela defesa, surgiram questionamentos sobre como o perito teve acesso ao documento.

O clima esquentou tanto que gritos de “cínico” foram ouvidos no tribunal.

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Após uma pausa para intervalo, o julgamento recomeçou com o depoimento crucial de Danilo Silva, ex-motorista de Gritzbach. A atmosfera permaneceu tensa durante seu relato, com embates frequentes entre ele e a promotoria sobre possíveis mudanças em seu depoimento e sua possível condição de investigado.

Danilo revelou detalhes sobre negociações e conversas trocadas com um dos policiais acusados.

O tumulto alcançou seu ápice quando dois capitães da PM foram ouvidos na sequência dos depoimentos. Em meio a questionamentos sobre uma investigação paralela relacionada a um suposto atentado contra um dos advogados presentes na audiência em 2025, as tensões aumentaram drasticamente.

A defesa dos policiais acusou a promotoria de desviar o foco do caso principal e criar um ambiente hostil ao exercício da advocacia.

Desdobramentos Finais

A confusão se estendeu para fora do Tribunal após o encerramento da sessão. Tanto defesa quanto acusação tentaram expor suas versões sobre os acontecimentos. Com protestos por parte dos familiares exigindo a continuidade do julgamento, o magistrado decidiu adiar a definição do veredito e agendar uma nova data para que outro Júri fosse convocado.

Os réus Denis Martins, Ruan Rodrigues e Fernando Genauro da Silva permanecem detidos enquanto aguardam a nova audiência.