Obra parada por anos, Jeddah Tower volta a subir na Arábia Saudita e já passa de 450 metros

Com projeto de Adrian Smith, o arranha-céu de Jidá deve superar em ao menos 172 metros o Burj Khalifa, recordista mundial desde 2010 com 828 metros.

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A Jeddah Tower já alcançou 454 metros e deverá superar o recorde de 828 metros do Burj Khalifa. Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial | Imagem gerada por inteligência artificial

Um arranha-céu com mais de um quilômetro de altura avança no litoral da Arábia Saudita e pode tirar do Burj Khalifa o título de edifício mais alto do mundo. A Jeddah Tower combina concreto armado, aerodinâmica e engenharia estrutural em uma escala inédita.

Em 31 de agosto de 2026, a torre já tinha chegado a 454 metros e ao 113º andar. A obra, que estava parada havia anos, voltou oficialmente em janeiro de 2025.

Obra começou em 2013 e ficou parada por anos

A construção da Jeddah Tower começou em 2013, mas travou depois de atingir cerca de um terço da estrutura planejada. Ficou paralisada durante vários anos antes da retomada.

Desde então, o ritmo mudou. A estrutura subiu até o 113º andar, e a retomada confirma que o projeto segue de pé na costa saudita.

Como uma torre pode passar dos mil metros?

Em um prédio com essa dimensão, o vento provoca oscilações que os edifícios comuns não sentem na mesma medida. Já o peso dos pavimentos exige fundações profundas e um núcleo estrutural que distribua as cargas.

A forma afilada ajuda a reduzir a pressão lateral, impedindo que as rajadas atinjam toda a fachada com a mesma força. O projeto usa planta triangular, com três alas que reforçam o núcleo central, e fachada inclinada para diminuir a ação contínua do vento.

Outras soluções sustentam o edifício. Há concreto de alto desempenho bombeado a centenas de metros de altura, elevadores rápidos organizados por zonas e pavimentos de transferência, além de fundações apoiadas em estacas profundas no terreno de Jidá.

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Burj Khalifa perde a liderança em altura

O Burj Khalifa, em Dubai, tem o recorde mundial desde 2010, com 828 metros. A nova torre deve passar essa marca em pelo menos 172 metros.

O arquiteto Adrian Smith trabalhou nos dois projetos. Ele começou no atual recordista e depois assinou o edifício saudita, desenvolvido pelo escritório Adrian Smith + Gordon Gill Architecture.

A comparação vai além da altura. O Burj Khalifa virou referência de empreendimento de uso misto, com hotel, escritórios, residências e mirantes. A Jeddah Tower deve seguir o mesmo caminho, com hotel Four Seasons, apartamentos, áreas corporativas, restaurantes e um observatório elevado com vista para o Mar Vermelho.

Projeto faz parte de estratégia econômica saudita

A Arábia Saudita quer fazer da torre o principal marco da Jeddah Economic City, um grande projeto urbano ao norte de Jidá. Além da disputa pelo recorde, o empreendimento faz parte da estratégia de diversificar receitas, estimular o mercado imobiliário e ampliar a presença do país no turismo internacional.

A área construída deve alcançar cerca de 530 mil metros quadrados. O edifício terá espaços residenciais, comerciais e hoteleiros, e o entorno vai receber novos bairros, serviços e infraestrutura viária.

A previsão divulgada aponta para a conclusão estrutural em 2028, mas o cronograma pode mudar. Ainda faltam centenas de metros, a instalação da fachada, sistemas elétricos, elevadores e acabamentos.

A condição de edifício mais alto do mundo só será confirmada depois da conclusão e da medição oficial da estrutura. Se o cronograma for cumprido, a Arábia Saudita terá o primeiro arranha-céu da história a ultrapassar a marca de um quilômetro.

A torre também vai testar técnicas de fundação, bombeamento de concreto, transporte vertical e controle aerodinâmico, desenvolvidas para uma construção sem precedente.

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