Iranianos realizam cortejo fúnebre em Teerã para homenagear o aiatolá Ali Khamenei
Multidões em Teerã demonstram fervor nacionalista e antiamericana durante o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei, refletindo a tensão política no Irã.
Multidões de iranianos tomaram as ruas de Teerã nesta segunda – feira (6) em um cortejo fúnebre para homenagear o líder falecido, o aiatolá Ali Khamenei. Este evento marcou o dia mais intenso de uma semana repleta de cerimônias memoriais, evidenciando a influência dos líderes religiosos que ainda permanecem no poder.
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Imagens capturadas por drones e exibidas pela televisão estatal mostraram os caixões do aiatolá e de quatro familiares sendo transportados em um caminhão pelas principais avenidas da capital.
Para amenizar o calor, mangueiras de incêndio esguichavam água sobre os participantes da marcha. Durante o trajeto, os manifestantes passaram sob uma ponte e atacaram um cartaz que exibia a imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com uma bala direcionada à sua cabeça. “Os EUA mataram nosso pai”, dizia a mensagem. “Não vamos deixar você ir!” Em meio ao clamor popular, alguns atearam fogo em bandeiras dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Mulheres vestindo chadores pretos levantavam cartazes vermelhos com a frase “MATEM TRUMP” em letras negras.
Clima de tensão nas manifestações
Além disso, outros cartazes mostravam figuras como o vice – presidente JD Vance, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o primeiro – ministro israelense Benjamin Netanyahu, todos retratados na mira de uma arma com a frase “Haverá sangue”. As multidões agitavam bandeiras iranianas e faixas vermelhas que invocavam os “vingadores de Khamenei”, uma adaptação de uma expressão central no islamismo xiita relacionada à morte do neto do profeta Maomé em batalha no século VII.
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No domingo (5), três filhos do falecido líder se reuniram ao lado do caixão em um grande salão de orações na capital. No entanto, Mojtaba Khamenei, que deveria suceder seu pai como líder supremo do Irã, não estava presente. Sua ausência é notável, já que ele não aparece em público desde o início da guerra em 28 de fevereiro, quando ataques aéreos de Israel e dos EUA atingiram o país.
Cerimônias e próximos passos
As cerimônias de luto tiveram início na sexta – feira (3), quando os caixões de Khamenei (pai), de sua filha e do neto (de apenas 14 meses), além do genro e da esposa de Mojtaba foram expostos para autoridades iranianas e dignitários internacionais.
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Outros eventos significativos ocorreram ao ar livre no sábado (4) e no domingo (5), culminando no grande cortejo desta segunda – feira.
As autoridades planejam levar o corpo para outras procissões na cidade sagrada iraniana de Qom — reconhecida por seus seminários xiitas — e também em duas cidades iraquianas que abrigam santuários xiitas. O corpo retornará ao Irã para ser sepultado em um complexo medieval localizado em Mashhad.
A repercussão internacional
A guerra resultou em um novo cenário político que consolidou a liderança clerical do Irã, permitindo – lhes proclamar vitória enquanto exercem controle sobre o abastecimento global de energia através do Estreito de Ormuz. Trump também declarou vitória; porém, seus objetivos iniciais — eliminar as capacidades nucleares e de mísseis do Irã, impedir ataques a vizinhos e criar condições para que os iranianos derrubem seus líderes — ainda não foram alcançados.
Durante o fim de semana, Trump anunciou que as negociações de paz com o Irã foram adiadas por uma semana devido às cerimônias fúnebres. Por sua vez, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta segunda – feira (6) que Khamenei foi morto por liderar um programa destinado à destruição de Israel. “Qualquer líder iraniano que tente novamente levar adiante planos para destruir Israel também será morto”, declarou Katz.