O Irã e os Estados Unidos recusaram a proposta de trégua que foi articulada pelo Paquistão na madrugada desta segunda-feira, dia 6. Na semana anterior, Paquistão e China já haviam solicitado um “cessar-fogo imediato” com base em um plano que continha cinco pontos.
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Um dos envolvidos afirmou que não aceitará qualquer acordo provisório, enfatizando que seu interesse reside apenas no fim definitivo do conflito. A socióloga e analista internacional Ana Prestes oferece uma perspectiva sobre o cenário.
Ana Prestes aponta que a mobilização urgente para encerrar o conflito parece estar motivada pelo impacto econômico global. Segundo ela, não se vê um movimento tão forte para cessar as hostilidades.
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“O que percebemos é uma importância dada porque o fechamento do Estreito de Ormuz está afetando a economia mundial. É uma postura de quem está muito preocupado com a passagem do petróleo”, explica Prestes.
A analista ressalta a ausência de Israel, que é considerado um parceiro direto dos EUA no conflito. “Não há hipótese de terminar uma guerra no Irã sem a participação ativa de Israel”, afirma Prestes.
Ela complementa que há muitos detalhes complexos para construir uma solução para a guerra. É inegável, segundo ela, que o Irã possui um grande trunfo: o controle sobre o Estreito, e usarão isso ao máximo para defender seus direitos, pois se consideram vítimas.
Com relação ao ultimato de Trump ao Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, que se encerra nesta terça-feira, dia 7, a analista avalia com cautela. Ela sugere ter cuidado com o que o governo estadunidense declara.
“Pode ser um blefe, pode ser uma bravata. Todos os anúncios do Trump nós temos tratado assim. Duvido que ele tenha reunido as condições internas para essa ação”, comenta Prestes.
A situação interna dos EUA é descrita como tensa, com a opinião pública se voltando contra a guerra. Além disso, há as eleições de meio de mandato, e Israel não conta com apoio internacional algum.
As oligarquias do Golfo, que são consideradas amigas dos EUA, estão incomodadas com o cenário, pois isso prejudica setores como o turismo e o setor energético para todos.
Prestes observa que os pontos apresentados pelos EUA para um cessar-fogo são, em essência, os mesmos discutidos antes do governo Trump, junto a Israel, iniciar os ataques contra o país persa.
“É uma demonstração de prepotência, uma superestimação da própria capacidade dos EUA de conduzir essa guerra no Oriente Médio. Eles se perderam nos objetivos e perderam a capacidade de resolver a situação que eles mesmos criaram no Estreito de Ormuz”, conclui a analista.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.
