Irã busca unir conflitos no Líbano e nuclear, desafiando estratégia de Israel e EUA

O Irã busca unir conflitos no Líbano e a questão nuclear, desafiando Israel. Entenda as implicações dessa estratégia e a resposta de Donald Trump.

(Imagem de reprodução da internet).

Irã tenta unir conflitos no Líbano e nuclear

O Irã está buscando integrar as frentes libanesa e a questão nuclear em um único conflito, desafiando a estratégia de Israel de manter essas questões separadas. Essa análise foi feita por Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, em entrevista ao WW sobre os recentes ataques entre EUA e Irã na terça-feira (9).

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Segundo o especialista, os eventos mais recentes têm origem nos ataques iranianos a Israel que ocorreram no último fim de semana, uma ação considerada sem precedentes. “Foi a primeira vez que o Irã atacou Israel sem ter sido atacado em seu próprio território”, destacou.

A ofensiva iraniana teria sido motivada pelos ataques israelenses a Beirute, a capital do Líbano. De acordo com Paulo Filho, Israel tem se esforçado para dissociar o conflito com o Hezbollah da questão nuclear iraniana e do Estreito de Ormuz. O objetivo é garantir liberdade de ação para atuar no Líbano sem provocar uma resposta americana relacionada ao programa nuclear do Irã. “Só que isso não é possível”, afirmou, explicando que o Irã tem interesse em manter as duas frentes interligadas.

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Trump busca conter a escalada

Frente aos ataques mútuos entre Israel e Irã, o presidente americano, Donald Trump, teria tomado medidas firmes em relação a ambos os lados para interromper os confrontos e preservar um ambiente propício para negociações. No entanto, logo após, ocorreu um episódio descrito por Paulo Filho como incomum e ainda pouco esclarecido. “Do ponto de vista militar, é bem inédito, é bem incomum um drone abater um helicóptero Apache, isso vai ter que ser esclarecido”, afirmou.

Em resposta aos ataques, Trump se viu obrigado a agir, mas optou por uma reação moderada. Segundo Paulo Filho, a intenção foi atender à opinião pública americana sem aumentar as tensões com Teerã. “Ele faz o ataque de forma limitada, esperando que o Irã contra-ataque também de forma limitada, de modo a manter as negociações”, explicou o especialista.

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Contudo, ele alertou que esse equilíbrio é extremamente delicado, e incidentes como o do helicóptero Apache podem facilmente levar a uma escalada maior.

Além disso, Paulo Filho ressaltou que o Irã mantém uma ampla liberdade de ação na região, em parte devido à sua capacidade de fechar o Estreito de Ormuz, o que representa, segundo ele, “um enorme trunfo para o governo iraniano”.