Irã admite reabrir Estreito de Ormuz em 2 dias, e não mais em uma semana, se EUA cederem

Porta-voz Esmaeil Baqaei diz que a rota, bloqueada por Teerã desde o início da guerra, só voltará a operar se Washington atender às exigências iranianas.

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Irã permite passagem de petroleiros iraquianos no Estreito de Ormuz | Foto: Reprodução/Jovem Pan

O Irã examina um plano para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, e não em uma semana como na proposta anterior, caso o governo dos Estados Unidos aceite suas condições. A informação foi dada na segunda-feira (2) pelo porta-voz da diplomacia iraniana.

A rota é essencial para o transporte de hidrocarbonetos e está bloqueada por Teerã desde o início da guerra. Ela também é um dos principais pontos de atrito com Washington, com ataques recorrentes entre as duas partes. Segundo o porta-voz, a reabertura poderia ocorrer em dois dias se o plano for aceito.

Teerã condiciona o plano à resposta de Washington

O porta-voz Esmaeil Baqaei afirmou que a proposta mostra boa-fé do governo iraniano. Para ele, se as exigências de Teerã forem atendidas, a segurança no estreito poderá ser restabelecida e as negociações voltarão a andar em pouco tempo.

Baqaei disse que as mensagens com os Estados Unidos seguem sendo trocadas por meio de mediadores. Segundo ele, todo o avanço depende da aceitação dos pedidos iranianos. Só depois disso, afirmou, seria possível discutir as etapas seguintes.

Quais são as exigências de Teerã

Em setembro, o Irã já tinha apresentado, por intermédio do Catar, um plano para reabrir o estreito seis dias depois de uma resposta americana às suas demandas. Entre os pontos estavam um cessar-fogo regional, a liberação de ativos iranianos no exterior, o fim das sanções ao setor petrolífero do país e o encerramento do bloqueio americano aos portos iranianos.

Esses mesmos itens já constavam de um protocolo de acordo fechado em junho, depois de um primeiro cessar-fogo vigente desde abril. A trégua, porém, foi rompida pouco depois, e os combates recomeçaram. Desde a guerra, iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã reivindica o controle de Ormuz e costuma atacar navios que atravessam a área sem sua autorização.

Chanceler fala em novo itinerário e ameaças se multiplicam

No domingo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi, em entrevista à Al Jazeera, pediu que Washington reconheça o novo roteiro combinado entre Irã e Omã para a passagem de navios pelo estreito. Ele também cobrou a redução da presença militar americana no Oriente Médio.

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Embora a frente militar esteja mais calma desde setembro, os Estados Unidos e Israel, ambos em períodos eleitorais, voltaram a ameaçar novos ataques contra o Irã. Na segunda-feira, o porta-voz iraniano avisou que qualquer agressão terá resposta imediata e de alcance global.

No domingo, o presidente Donald Trump repetiu a ameaça de retomar os bombardeios. No sábado, ele disse que os Estados Unidos já destruíram grande parte da capacidade militar iraniana, mas que ainda restam “um ou dois” objetivos. Em um comício em Iowa, afirmou que não acabou com o Irã por querer ser gentil e tentar poupar vidas. Trump insistiu que, em algum momento, será preciso dar um golpe contundente no país, às vésperas das eleições de meio de mandato de terça-feira (3).

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