IPOs de tecnologia na China arrecadam US 3,1 bilhões até junho de 2026, cinco vezes mais que em 2025

As ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas de tecnologia na China devem registrar seu melhor desempenho desde 2023, impulsionadas por esforços do governo de Pequim para promover listagens no setor de semicondutores e inteligência artificial. Até 18 de junho de 2026, as empresas tecnológicas arrecadaram US 3,1 bilhões em IPOs, cifra mais de cinco vezes superior à do mesmo período do ano anterior.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Quase 50 empresas, incluindo startups de robótica e fabricantes de semicondutores, já pediram autorização para IPOs nas bolsas de Xangai e Shenzhen. Essas companhias pretendem levantar pelo menos US 18,7 bilhões, segundo estimativas da Reuters com base nos documentos apresentados.
A fabricante de chips CXMT (Chang Xin Memory Technologies) se destaca entre os solicitantes, planejando um IPO que pode render até 29,5 bilhões de iuanes em Xangai, o que seria a maior oferta do ano.
Novas regras e apoio governamental
A aceleração nas listagens vem após a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) anunciar no dia 17 de junho que dará suporte à abertura de capital de startups em setores emergentes, como tecnologia quântica e interfaces cérebro – computador.
A Bolsa de Valores de Xangai também implementou novas regras para facilitar a venda pública das ações de grandes empresas focadas em modelos de linguagem no Mercado STAR.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
“A aceleração dos IPOs tem proporcionado oportunidades há muito esperadas para fundos de private equity e venture capital”, afirmou Li He, co – chefe da área jurídica da Davis Polk na Ásia (exceto Japão). Essa movimentação é especialmente significativa em meio à crescente rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos.
O ressurgimento dos IPOs no setor tecnológico marca uma reversão após um hiato que persistiu desde 2024. Nesse período, muitas empresas nacionais buscaram abrir capital fora do país, especialmente em Hong Kong. Em 2024, os recursos anuais obtidos com a abertura de capital na China caíram para US 2,7 bilhões, em comparação aos US 15,7 bilhões registrados em 2023.
Leia também
Expectativas futuras e reações do mercado
A CSRC também se manifestou sobre o apoio a empresas listadas em Hong Kong que desejam entrar no mercado chinês continental. Kenny Ng, estrategista da China Everbright Securities International, comentou que essa atitude poderia aumentar o acesso ao mercado interno e melhorar a liquidez. “Se empresas listadas em outras regiões puderem ser incluídas futuramente, isso poderá diversificar as opções para investidores”, disse Ng.
A Zhipu AI é um exemplo dessa movimentação; após levantar US555,2 milhões em sua estreia na bolsa de Hong Kong em janeiro, agora busca arrecadar 15 bilhões de iuanes com uma nova listagem no mercado STAR. Enquanto isso, a Kunlunxinunidade da Baidu especializada em chipsplaneja uma oferta pública inicial menor no mercado doméstico após aguardar aprovação regulatória para um IPO no valor de US 2 bilhões em Hong Kong.
De acordo com Ho – Yin Lee, co – diretor da Citigroup para tecnologia e comunicações na região Ásia – Pacífico, uma listagem na China continental poderia facilitar o acesso das empresas negociadas em Hong Kong a um mercado mais amplo e a investidores locais. “Isso proporcionaria um vasto capital para financiar suas operações e aumentar sua visibilidade no mercado interno”, destacou Lee.
Reação dos investidores
A demanda por IPOs recentes na China continental tem sido bastante forte. As ações da SJ Semiconductor Corp dispararam mais de oito vezes seu preço inicial ao serem negociadas. Por outro lado, as ações da Semight Instruments aumentaram quase 28 vezes após seu lançamento no mercado.
“O aumento nas emissões das tecnologias chinesas faz parte de uma onda global voltada à inteligência artificial”, afirmou James Wang, chefe dos mercados de capitais da Ásia (exceto Japão) do Goldman Sachs. Ele ressaltou que tanto a China quanto os Estados Unidos estão definindo o ritmo desse fenômeno.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



