Astrônomos rastreiam origem de partícula cósmica da galáxia Shadow Blaster a 11 bilhões de anos-luz

A identificação da galáxia Shadow Blaster como fonte de uma partícula cósmica pode revolucionar a pesquisa sobre neutrinos e suas origens no universo.

27/06/2026 12:06

4 min

Os astrônomos usaram diferentes telescópios para ampliar a imagem da galáxia “Shadow Blaster”.
Os astrônomos usaram diferentes telescópios para ampliar a image...

A galáxiaShadow Blaster“, localizada a 11 bilhões de anos – luz da Terra, pode ter enviado uma partícula cósmica misteriosa em direção ao nosso planeta. Astrônomos estão animados com a possibilidade de ter rastreado a origem dessa partícula, um avanço significativo na compreensão dos neutrinos, que são partículas abundantes no universo e conhecidos por sua natureza evasiva.

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Os neutrinos têm a fama de serem “partículas fantasmas” devido à sua falta de carga elétrica, massa reduzida e à dificuldade de interação com outros tipos de matéria. Embora eventos como supernovas e reações nucleares possam gerar esses neutrinos, identificar sua fonte exata continua sendo um desafio.

O Ice Cube Neutrino Observatory, na Antártida, é um dos principais detectores que alertam sobre sua presença, mas muitas vezes as informações sobre a localização desses eventos são incertas.

Descoberta da galáxia Shadow Blaster

O Dr. Yuji Urata, pesquisador da MITOS Science Co. Ltd., em Taiwan, comentou sobre a dificuldade em rastrear os neutrinos: “Eles raramente interagem com a matéria, o que é justamente o motivo pelo qual conseguem viajar pelo universo quase sem perturbações.” Apesar das dificuldades, Urata e sua equipe tiveram uma sorte inesperada.

Um estudo publicado em 17 de junho na revista Nature Astronomy revela que uma coincidência cósmica iluminou a galáxia Shadow Blaster logo após a detecção de um neutrino de alta energia na Terra.

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Esse evento sugere que houve um surto de atividade na galáxia, levando os pesquisadores diretamente à sua localização. A descoberta pode abrir caminho para novas metodologias na busca por fontes dessas partículas fantasmagóricas. A galáxia está situada atrás de uma galáxia vermelha brilhante em imagens capturadas pelos telescópios.

A conexão com o neutrino IC 210922A

A jornada para descobrir mais sobre Shadow Blaster começou em 2021 quando o Ice Cube detectou um neutrino de alta energia chamado IC 210922A. Esse evento se originou na direção da constelação Eridanus e gerou um alerta para cientistas ao redor do mundo.

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Observações rápidas foram realizadas em diferentes comprimentos de onda para localizar a fonte do sinal.

No entanto, a equipe não conseguiu detectar estrelas em explosão ou outros fenômenos associados ao neutrino. Urata explicou: “Os neutrinos nos dizem que algo energético aconteceu no céu, mas geralmente não indicam exatamente qual é a fonte.” Para esclarecer essas questões, são necessárias observações em várias bandas espectrais.

Observações adicionais e implicações

Poucos dias após o alerta do Ice Cube, Urata e seus colegas utilizaram o James Clerk Maxwell Telescope no Havaí e o Submillimeter Array para observar uma galáxia rica em formação estelar chamada JCMT0402−0424. Essa galáxia apresentava trilhões de vezes mais luminosidade do que o Sol em luz infravermelha e estava posicionada corretamente para possivelmente estar conectada ao neutrino detectado.

A equipe deu à galáxia o nome de Shadow Blaster devido à sua abundância de poeira que dificultava observações diretas. O termo “Blaster” sugere que mesmo escondida, essa galáxia pode ser uma fonte poderosa de partículas energéticas e neutrinos.

Possíveis fontes de neutrinos

Com observações adicionais feitas pelo Atacama Large Millimetersubmillimeter Array no Chile, os cientistas identificaram que Shadow Blaster estava posicionada atrás de uma lente gravitacional. Esse fenômeno ocorre quando uma grande galáxia à frente amplifica a luz da galáxia distante atrás dela, permitindo estudos mais detalhados.

Densas regiões de formação estelar como as encontradas na Shadow Blaster podem atuar como aceleradores naturais para produzir neutrinos. Justin Vandenbroucke, professor da University of Wisconsin – Madison, destacou que esse tipo de galáxia tem potencial para contribuir significativamente para o fundo difuso observado pelo Ice Cube.

Próximos passos na pesquisa

A análise sugere que até 20% dos neutrinos detectados podem originar – se desse tipo específico de galáxias. No entanto, Vandenbroucke ressalta que estabelecer essa conexão ainda requer mais evidências: “A probabilidade de ser uma coincidência acidental é cerca de 1%.” Os pesquisadores buscam entender quais condições nas galáxias contribuem para essa produção.

Observatórios avançados como ALMA estão mudando a forma como astrônomos estudam essas estruturas distantes e poeirentas. Urata conclui afirmando que se algumas dessas galáxias forem realmente fontes significativas de neutrinos, isso poderá oferecer novas perspectivas sobre como as estrelas se formaram nos primórdios do universo.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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