Ipca abaixo do esperado em agosto derruba juros futuros no Brasil

Dados de deflação em agosto reforçam expectativa de novo corte da Selic pelo Banco Central.

Moedas de real retratadas no Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2010, REUTERS/Bruno Domingos

O mercado de juros futuros brasileiro opera em baixa nesta sexta – feira (11), impulsionado por um dado de inflação mais fraco que o esperado. O movimento reforça a aposta de que o Banco Central pode continuar cortando a Selic.

O índice oficial de preços ao consumidor, o IPCA, registrou deflação em agosto, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A queda nos preços foi maior do que a projetada pelos economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam uma deflação de 0,29%.

Nos 12 meses encerrados em agosto, o IPCA acumula alta de 4,22%, também abaixo dos 4,27% estimados.

Juros futuros caem com IPCA abaixo do esperado

Às 9h 47, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 caía para 13,555%, uma baixa de 8 pontos – base em relação ao ajuste anterior, de 13,633%. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 recuou 13 pontos – base, para 14,03%, ante 14,164% do pregão passado.

A abertura do IPCA trouxe ainda indicadores considerados favoráveis pelo mercado. A inflação de serviços desacelerou de 0,54% em julho para 0,03% em agosto. Já a taxa dos serviços subjacentes — que exclui itens mais voláteis — passou de 0,42% para 0,40% no mesmo período, de acordo com cálculos do banco Bmg.

Por outro lado, a inflação dos serviços intensivos em mão de obra acelerou de 0,46% para 0,55%, ainda segundo o Bmg. A taxa média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC caiu de 0,26% para 0,22%.

Cenário reforça aposta em novo corte da Selic

Os dados do IPCA se somam a outros indicadores recentes que apontam para uma desaceleração da atividade econômica e dos preços no Brasil. Isso corrobora a aposta dos investidores de que o Banco Central deve promover uma nova redução de 25 pontos – base na taxa básica Selic ainda neste mês, com a possibilidade de um novo corte em novembro.

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Atualmente, a Selic está em 14%.

O movimento de queda nas taxas brasileiras ocorre na contramão do exterior. Nos Estados Unidos, o CPI (índice de preços ao consumidor) subiu 0,4% em agosto, exatamente em linha com o projetado pelos economistas. Como reflexo, os rendimentos dos Treasuries subiram. Às 9h 44, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de curto prazo — tinha alta de 6 pontos – base, a 4,606%.

Já o retorno do título de dez anos, referência global para investimentos, mostrava estabilidade, a 4,947%.

Crise no STF segue no radar

No cenário doméstico, os investidores também monitoram os desdobramentos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do caso Master, o que mantém o tema no foco do mercado financeiro.